No âmbito da promoção do Congresso Feminista 2008, a União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) apresenta o ciclo de cinema “UMAR-TE ASSIM PERDIDAMENTE”, que decorre no Porto (FPCEUP), na semana de 12 a 18 de Maio.
“Pulsos de Ferro”, “Água”, “Amor no Feminino”, “Frida Kahlo”, “Alma dos Guerreiros”, “Transe” e “Mulheres Traídas” são as propostas da UMAR. O ciclo de cinema engloba ainda um conjunto de debates, que reúne convidados de diversas áreas de conhecimento.
A UMAR e a Comissão Promotora do Congresso Feminista 2008 organiza, durante o mês de Maio de 2008, um concurso de vídeos sob o tema “O Que é o Feminismo?”, para jovens entre os 14 e os 25 anos.
O vídeo vencedor será exibido num Festival de Cinema Internacional!
Queres contribuir para uma sociedade mais justa e igualitária?
Queres viver uma experiência única nos bastidores de uma iniciativa de âmbito internacional?
Queres conhecer pessoas de vários países e enriquecer o teu currículo?
Então inscreve-te no voluntariado do Congresso Feminista 2008 e terás ajudas de custo para o transporte, certificado de participação e, claro, entrada gratuita para 3 dias de grande animação.
Envia-nos o teu CV, área em que gostarias de estar envolvido/a e disponibilidade (dias e horas) para geral@congressofeminista2008.org.
Contamos contigo!
Áreas de Voluntariado (antes e durante o Congresso):
1. Voluntariado “Eu quero é contribuir e a área depois vemos”
2. Intérprete de Língua Gestual (apenas durante o Congresso)
3. Actividades de Divulgação (ciclos de cinema, debates, acções de rua, etc.)
4. Gestão de Participantes
5. Apoio às salas
6. Espaço de informações
7. Recepção de Participantes
8. Outro (especificar)
Dia 16 de Abril de 2008.
Campus de Gualtar da
Universidade do Minho.
Junto ao Complexo Pedagógico II e ao simbólico Prometeu, uma turma de caloiros obedecia às ordens de alguns “doutores”. No dia em que os estudantes se manifestavam contra a forma como o Processo de Bolonha foi conduzido e contra o valor das propinas, alunos que já entraram no ensino superior há sete meses mantinham-se deitados de barriga para baixo, com a cara rente à relva, em mais uma sessão de praxe. Dentro do edifício, o núcleo de Braga da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) promovia mais uma conferência integrada na Feira Pedagógica, levada a cabo pela Associação Académica da Universidade do Minho. Estas imagens, que podiam ser observadas em simultâneo, mostram que, enquanto alguns se entretêm à volta da relva, há jovens com ideais e com coragem para lutar por eles, mesmo que sejam polémicos, como é seguramente falar de feminismo numa sociedade machista. Basta ver que um artigo sobre o feminismo publicado na versão online do ComUM, dirigido sobretudo ao público universitário, provocou comentários de nível muito baixo, feitos sob a capa do anonimato. Independentemente de se concordar ou não com as propostas que são apresentadas, e que são discutíveis, este esforço de promoção do debate é louvável, num contexto que não favorece a participação cívica.
Houve tempos em que se falou de uma geração rasca, que supostamente foi substituída pela geração à rasca. Contra todos os epítetos, há jovens que estão dispostos a tentar deixar a sua marca nos sítios por onde passam, mesmo que o que propõem seja incómodo e não agrade a muita gente. A blogosfera e a Internet são instrumentos que usam para a participação cívica, mas a sua actividade não se fica pelo mundo virtual. Há jovens – em termos de idade ou de espírito – que estão em múltiplas frentes a combater a bovinidade que continua a imperar vezes sem conta. Pelo nosso futuro colectivo, esperemos que haja cada vez menos quem goste de “comer” relva.
Os feminismos impregnaram a cidade de Braga e, em particular, a Universidade do Minho. Exposição de materiais atinentes aos direitos humanos e feminismos, uma performance sobre o corpo feminino e debates sobre temáticas diversificadas repletaram a Semana Pedagógica (14-18 de Abril) da academia minhota.
Organizado pela União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), este conjunto de actividades surpreendeu pela espontaneidade, vigor e dinamismo. Favoreceu o intercâmbio de opiniões e experiências, granjeou novos apoiantes e difundiu pelos corredores da universidade o ser, pensar e agir feministas.
DIA1: No primeiro debate “Mulheres Invisíveis?”, Marta Gonçalves (APAV) e Ana Marciano (UMAR) traçaram a dimensão da violência doméstica em Portugal e colocaram a tónica nos obstáculos burocráticos que obstam a celeridade do sistema judicial. Para Ana Marciano, “o tempo dos tribunais não é o tempo das pessoas” e nem sempre respondem atempadamente às necessidades das vítimas. Os objectivos principais da APAV e UMAR convergem num único sentido: colocar a vítima de violência doméstica em segurança e reintegrá-la na sociedade, impedindo a reprodução do contexto de violência.
DIA 2: O debate “Sexo e Dinheiro” reuniu Inês Fontinha (O Ninho) e Manuel Carlos Silva (Universidade do Minho) em torno de uma temática: prostituição. Apologista do sistema abolicionista, Inês Fontinha destacou que a entrada das mulheres no meio prostitucional é sempre condicionada por factores de ordem económica. No seu entender, a erradicação da prostituição é possível e o Estado não pode legitimar a compra do corpo feminino. Pela voz da regulamentação, Manuel Carlos Silva acredita que a erradicação desta actividade não é possível no quadro de uma sociedade capitalista. Por isso, vê no sistema regulador a melhor solução para melhorar a saúde pública e romper com a estigmatização dos actores do meio. Ambos os intervenientes foram unânimes ao defender a integridade das prostitutas no exercício da maternidade.
DIA 3: De manhã, Ana Gabriela Macedo (Universidade do Minho) falou de “arte e feminismos”. Na sua intervenção, centrou-se na relação das mulheres com o seu corpo, detendo-se nas práticas de des-identificação e de empoderamento presentes na arte feminista. De tarde, as atenções dirigiram-se para o debate “Feminismos e Média”. Zara Pinto Coelho (Universidade do Minho) enfatizou que a feminização da produção mediática não se reflectiu numa mudança da imagem feminina no discurso jornalístico. Na sua opinião, é fundamental a introdução de uma perspectiva feminista nos currículos universitários. Silvana Mota Ribeiro, por seu turno, destacou que as mulheres aparecem nas revistas femininas como uma superfície estética, havendo uma espécie de apologia da mulher bela, magra e jovem. Manuel Pinto deteve-se na análise do agenda-setting, que determina o que é noticiado, e do framing do jornalista.
DIA 4: O debate “Nem menos, nem mais: direitos iguais” centrou-se na homossexualidade e transsexualidade. Ana Brandão (Universidade do Minho) salientou a necessidade de abolir as práticas discriminatórias em relação a homossexuais, nomeadamente no que respeita à concessão de direitos da família. Luísa Reis (Grupo de Reflexão e Intervenção sobre Transsexualidade) expôs a distinção entre ‘identidade de género’ e ‘orientação sexual’ e sustentou que não existem apenas dois sexos – H e M –, mas uma grande diversidade. Deteve-se ainda nos obstáculos no acesso ao mercado de trabalho e nas dificuldades legais. Frederico Lemos (Grupo de Reflexão e Intervenção do Porto) mostrou que existem 75 países que consideram a homossexualidade crime e nomeou como suas principais reivindicações os direitos de adopção e de casamento em Portugal.
DIA 5: A semana fecha com o debate “Aborto e Saúde reprodutiva: o que mudou um ano depois?”. Cândida Carlos (Centro de Saúde de Vila Verde) destacou que ainda prevalecem imensos mitos e deturpações no que concerne à sexualidade. Helena Gonçalves (UMAR) mostrou que é importante desenvolver programas de prevenção de modo a esclarecer educandos e educadores sobre as DST.