Norte-coreanas vendidas como escravas por 700 euros na China

25 06 2009

Cerca de 70 por cento das mulheres norte-coreanas que vivem na China são vítimas de tráfico humano

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O preço de uma mulher norte-coreana, na China, oscila entre 210 e 842 euros, mostra o relatório da Comissão americana para os direitos humanos na Coreia do Norte.

Em 1999, Pang Bun Ok, 55 anos, foi vendida no país do Sol Nascente por 737 euros.

Um ano após a morte do seu marido, Pang Bun Ok decidiu emigrar para a China, juntamente com os seus filhos, em busca de uma vida melhor. Uma vez no país, foi vendida como esposa três vezes, encerrada em casa, presa a uma cama, raptada e abusada.

“Fui tratada como um animal”, explica Pang, que fugiu da Coreia do Norte pela segunda vez, em 2003, e conseguiu entrar na Coreia do Sul, onde os seus filhos a esperavam. A maior parte dos norte-coreanos que foge dos seus raptores utiliza nomes falsos porque, na Coreia do Norte, a pena por ‘trair o regime’ (ou seja, emigrar) recai, muitas vezes, na família do fugitivo.

Duas jornalistas norte-americanas, Laura Ling e Euna Lee, estavam precisamente a investigar o tráfico e o abuso das mulheres norte-coreanas na China, mas foram, no dia 8 de Junho, condenadas a 12 anos de trabalhos forçados.

A migração em massa da Coreia do Norte começou em meados da década de 90, quando centenas de milhares de pessoas fugiram da fome, que provocou um milhão de vítimas.

Os norte-coreanos na China são abandonados. Segundo o relatório da Comissão americana para os Direitos Humanos na Coreia do Norte, oito sobre dez são mulheres, a maior parte das quais são operárias e camponesas.

No total, há cerca de 300 mil norte-coreanos a viver na China, a maior parte ilegalmente. Estima-se que 70 por cento das mulheres sejam vítimas de tráfico humano. De acordo com o fundador da organização ‘Corea Helping Hands’, Tim Peters, “as mulheres que fogem são particularmente vulneráveis. Arriscam ser enganadas, compradas e vendidas aos chineses como ‘esposas’ na fronteira entre os dois países”. O problema do tráfico de mulheres não parece ser fácil de resolver num país (China) onde há um importante desequilíbrio demográfico por causa da política do Governo, que favorece a redução do número de mulheres.

Não obstante a China tenha assinado a Convenção da ONU, em 1951, o país ignora os direitos dos migrantes norte-coreanos que não são considerados refugiados, mas sim migrantes ilegais.

Texto original: AQUI
Tradução: Anabela Santos





Afeganistão, esperanças desfeitas

25 06 2009

Entrevista a Sima Samar: da lei que legaliza a ‘violação marital’ às torturas nas prisões

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Sima Samar é minúscula, com olhos doces e profundos. Os seus cabelos, que sobressaem do ejab, são grisalhos. Para entrar no seu escritório, tem de se passar pela vigilância das suas guardas armadas, depois por um detector metálico. Os homens da segurança controlam a máquina fotográfica, ligam-na. “Não é uma arma”, digo-lhes. A prudência nunca é demasiada. Sima foi ameaçada de morte mais uma vez. Presidente da Comissão afegã para os direitos humanos, nos anos 80, exilou-se no Paquistão e fundou a ONG Shohada. Doze clínicas no Afeganistão, um hospital no Paquistão, cursos para obstetras e assistentes médicos, mestres e enfermeiros. Uma vida inteira a combater as discriminações e um marido desaparecido na ocupação soviética.

Sima combate ainda uma lei criada com o propósito de regular a vida privada das mulheres muçulmanas chiitas deste país, que reintroduz a “violação marital”, ou seja, a obrigatoriedade da mulher ter relações sexuais com o seu marido, ainda que não dê consentimento. A sua aprovação, na sequência dos protestos da comunidade internacional, foi adida.     

Doutora Samar, que lei é esta?
É uma lei que discrimina as mulheres, que vai contra os direitos humanos fundamentais e à liberdade das mulheres. Uma lei que vai contra a própria Constituição afegã, a qual garante os mesmos direitos ao homem e à mulher. Uma lei que também vai contra as convenções internacionais.

Uma lei que afecta um quarto da população, mas que é feita para afectar todas as mulheres…
Há artigos nesta lei que não devem existir. Dou um exemplo dos mais estúpidos: nesta lei, é contemplado o facto de a esposa ser obrigada a usar maquilhagem. Se não o fizer, o que acontece? O marido vai à polícia? A pena prevista é uma multa ou a prisão? Como podemos explicar uma coisa genericamente? E esta é uma das coisas menos graves presentes nesta lei.

Então, não há qualquer referência ao mundo islâmico?
Penso que não é esse o problema. Sou muçulmana chiita. O Afeganistão é um país islâmico, sobre isto não há dúvida alguma, como não há dúvida sobre o facto de existirem muitos outros países islâmicos no mundo. Ora, nenhum destes países tem uma lei de género. Isto não tem que ver com a sharia ou Corão. Tem que ver com a mentalidade das pessoas que dizem, em voz alta, defender a lei do Corão. A figh, isto é, a jurisprudência, representa o esforço exercido para individualizar a lei de Deus, mas não é a lei de Deus.

Você foi também ministra no Governo de transição Rabani. O que aconteceu? 
Fui por seis meses. Depois, tive de me demitir na sequência de uma série de falsas acusações só porque tinha pedido o fim da impunidade e justiça para as mulheres. Diziam que eu não era uma boa muçulmana. Parecia um filme: eu estava sentada no Parlamento e havia um grupo de parlamentares que gritavam, ameaçando-me de morte. Eu permaneci sentada e sorri, dizendo-lhes que não tinham direito algum de gritar e de me endereçar falsas acusações. Mas não era necessário prová-las. Não há liberdade de expressão quando usam a religião para atingir-te. Nunca dei ouvidos a ninguém antes e, agora, que sou presidente desta comissão independente, muito menos. É um trabalho de risco e stressante. Tens de enfrentar muita gente importante, mas estou feliz porque estou sempre do lado das vítimas.  

O que mudou desde 2001?
Em 2001, foi abolido o regime talibã e muito mudou, quer negativa, quer positivamente. Nota-se uma maior presença das mulheres na política, no mercado de trabalho, nas actividades sociais, nas cidades mas também nas áreas rurais, e mais liberdade de imprensa. Mas, infelizmente, verificou-se também uma deterioração da segurança. A violência aumentou em muitas províncias. Penso que um dos motivos de tudo isto seja a ausência de uma visão clara e estratégica sobre o que se deve fazer, quer da parte do Governo, quer da comunidade internacional. Em segundo lugar, penso que o nosso seja um caso particular, não há uma abordagem original para a solução dos problemas do Afeganistão. Em último, os esforços não estão a focalizar-se na promoção de instituições no território. Num país como este, é necessário construir o aparelho estatal mais do que qualquer outra coisa.

A comunidade internacional então, na sua opinião, não está a fazer o suficiente…
É uma situação difícil porque não está, de facto, a trazer a paz. Como dizia, não há uma visão clara sobre o futuro do país. Quais os objectivos? Quais os resultados? Dizem que não nos interessa a democracia porque a nossa é uma sociedade tribal, religiosa e em que não compreendemos o significado da palavra democracia. Mas esta é uma percepção equivocada. Provavelmente, a gente que está no Governo tem a mesma percepção…

E a situação dos direitos humanos?
Antes, a tortura era muito comum nos centros de detenção. Ninguém era preso e solto sem ser torturado. Hoje, a situação melhorou, mas a tortura não desapareceu. Permanece em muitas prisões privadas geridas por comandantes de várias milícias. Cada um destes tem a sua prisão, muitas vezes nos subterrâneos das suas fortalezas.

Um sonho e uma esperança?
O meu sonho é ter um verdadeiro sistema educativo no nosso país capaz de mudar a mentalidade das novas gerações. A minha esperança é o fim da discriminação. De todo o tipo. Devemos alcançar este objectivo. Devemos conquistá-lo.

Texto original: Cristiano Tinazzi
Tradução: Anabela Santos





AVISO

23 06 2009

O Núcleo de Braga da UMAR vem por este meio anunciar que o ciclo de sessões abertas mensais será interrompido por três meses. A reflexão, exposição e intercâmbio de opiniões em torno dos feminismos estão de volta em Setembro, com novas/os intervenientes e abordagens.

União de Mulheres Alternativa e Resposta





Preservativos: promotor de orgias ou real prevenção?

31 05 2009

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Afinal, o que se pretende com a distribuição de preservativos nas escolas? Decerto, não proliferará a actividade sexual, como alguns temerão, e não comprometerá, muito menos, o início das relações sexuais entre os adolescentes!

Não queremos que os jovens tenham sexo seguro? Não será a Escola uma figura indispensável para a promoção de comportamentos sexuais saudáveis? Ou queremos também que ela se mantenha alheia à sexualidade dos jovens, sendo esta parte integrante do indivíduo?

Deixemo-nos, portanto, de pudor ou conservadorismo, e olhemos para a realidade. Segundo dados de 2008, da Associação para o Planeamento da Família (APF) e o Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa, mais de metade dos alunos do ensino secundário, nunca tiveram relações sexuais. Sendo esta A estatística relevante ou não para o caso, da percentagem de jovens que já iniciou a actividade sexual, importa observar se, efectivamente, usam preservativo, se as relações sexuais são tidas com total consciência e em clima de confiança e igualdade, no fundo, se os seus direitos estão garantidos.

O projecto, agora aprovado pelo Governo Português, engloba a existência de gabinetes de apoio, para além da distribuição de preservativos, o que indicia a necessidade antiga, que urge ser instaurada, de Educação Sexual. Esta seria dada por especialistas e não por professores de Línguas, Matemática ou História, incidindo sobre temas como a orientação sexual, a identidade de género, a intimidade, a saúde sexual e cuja abordagem abarcaria as Doenças Sexualmente Transmissíveis, prevenção e a contracepção. Uma Educação Sexual para extinguir, definitivamente, este tabu; desvanecer mitos e falsas crenças; que nos permita ter sexo em pleno, responsável, sem culpa ou vergonha.
Não olvidemos os NOSSOS direitos! Entre eles, Vida, Liberdade, Informação e Igualdade.

Aproveito para congratular a campanha que se tem vindo a efectuar do preservativo feminino, medida capaz de surtir efeito nas relações sexuais ainda desiguais. Importa, porém, pensarmos também na prevenção das DST nas lésbicas, cujas necessidades são obviamente ignoradas.

 

P’lo Núcleo de Braga
Tatiana Mendes





A UMAR convida:

25 05 2009

“Tráfico de mulheres para a exploração sexual: meandros de uma realidade pungente”
21h30 | 28 de Maio 2009
Estaleiro Cultural da Velha-a-Branca

Sex_sells_by_igyO Núcleo de Braga da UMAR realiza, quinta-feira, no Estaleiro Cultural da Velha-a-Branca, uma sessão aberta ao público atinente ao tema “Tráfico de mulheres para exploração sexual: meandros de uma realidade pungente”, que conta com a presença da doutoranda da Universidade do Minho, Dulce Liliana Martins Couto.

Todos os anos, mais de 700 mil pessoas são traficadas (leia-se: ludibriadas, chantageadas, manipuladas, violentadas, exploradas, violadas, instrumentalizadas). O sexo feminino representa 80% das vítimas de tráfico humano e 30% são crianças. Embora não haja dados estatísticos exactos, a maioria das mulheres traficadas em Portugal provém do Brasil, tem idades compreendidas entre os 25 e 30 anos, e são impelidas para a exploração sexual. Anualmente, mais de 600 mil pessoas são traficadas no espaço europeu.

Em 2006, Portugal criou o projecto ‘Cooperação, Acção, Intervenção, Mundivisão’ (CAIM) com o propósito de desenvolver um trabalho interinstitucional na área da prostituição e tráfico de mulheres para fins de exploração sexual”.
No ano seguinte, foi implementado o I Plano Nacional contra o Tráfico Humano para promover a interacção policial e a sensibilização da sociedade. No âmbito deste Plano, inaugurou-se o primeiro Centro de Acolhimento e Protecção de mulheres – e também de filhos menores – consideradas vítimas de tráfico e em situação de vulnerabilidade. Paralelamente, reformulou-se a legislação portuguesa que passou a integrar o crime de tráfico humano; criou-se o Observatório de Tráfico de Seres Humanos e um Guia Único de Registo, que permite a partilha de informação entre a PSP, GNR, PJ e SEF. As campanhas de sensibilização ‘Não estás à venda’ e ‘Desperte para este realidade’ surgiram ainda como instrumentos de combate ao tráfico humano, nomeadamente para exploração sexual.

Por que razão são as mulheres as principais vítimas de tráfico para fins de exploração sexual?
Quais as consecuções do I Plano Nacional contra o Tráfico de Seres Humanos?
Qual o papel dos média no combate ao tráfico humano?

Estas e outras questões compõem a II sessão aberta promovida pela UMAR, em Braga.
Informais e intimistas, estas sessões visam fomentar a reflexão, exposição e intercâmbio de opiniões sobre os feminismos e suas adjacências, contribuindo para a promoção e aprofundamento de um olhar crítico sobre a contemporaneidade.

União de Mulheres Alternativa e Resposta
Núcleo de Braga





CARTA ABERTA

18 05 2009

NOMEAÇÃO DOS MEMBROS EXTERNOS PARA O CONSELHO GERAL DA UNIVERSIDADE DO MINHO

 

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O Núcleo de Braga da União de Mulheres Alternativa Resposta (UMAR) vem por este meio manifestar a sua discordância relativamente ao processo de nomeação de elementos externos para o Conselho Geral da Universidade do Minho.

Esta instituição de ensino convidou, na verdade, seis membros externos para integrar este órgão: os ex-ministros Laborinho Lúcio, João Salgueiro e Luís Braga da Cruz, bem como o investigador de neurobiologia Alcino J. Silva, o empresário António Pacheco Murta, e o programador artístico e cultural, João Fernandes.

Não pretendendo colocar em causa o mérito dos nomeados, a UMAR questiona e contesta veementemente a ausência de nomeações de mulheres para o órgão colegial máximo de governo e de poder decisório da Universidade do Minho, o Conselho Geral. Não terão as mulheres mérito para ocupar tais posições na hierárquica institucional? Por que razão as nomeações incidiram somente em homens? Quais os critérios tomados em consideração?

Não obstante o crescente reconhecimento da inclusão da perspectiva de género na constituição de órgãos institucionais, a Universidade do Minho privilegiou exclusivamente homens, ignorando mulheres com mérito, reconhecimento nacional e idoneidade para exercer as suas incumbências. Esta visão androcêntrica é particularmente grave quando acontece numa universidade pública, que constitui um espaço de produção de conhecimentos e formação de mentalidades. Como instituição sem muros, a Universidade do Minho deveria ser pioneira na inclusão da perspectiva de género que, não colidindo com a meritocracia, contribui para uma instituição mais diversificada e igual.

Este último processo de nomeações mostra eximiamente a prevalência de um sexismo institucional que dá preferência aos homens, exclui as mulheres e favorece a perpetuação de relações de poder desiguais, cujos corolários tendem a reflectir-se na comunidade académica, nomeadamente nos/as estudantes.

Recusamos, deste modo, a conivência com:
a) A ausência de transparência no processo de nomeação, nomeadamente quanto aos critérios de selecção;
b) A inexistência de um júri moderador e supervisor que garantisse a imparcialidade, transparência e justeza;
c) O abuso de posições de dominância na nomeação de elementos externos;
d) A exclusão da perspectiva de género na composição do órgão, tendencialmente adoptada a nível institucional;
e) A incipiência da consciência social que tende considerar a inclusão da perspectiva de género como contrária à meritocracia.  

A UMAR considera importante a imparcialidade e transparência do processo de nomeação destes membros, bem como o estabelecimento de critérios rigorosamente definidos que permitam acesso igualitário aos cargos disponíveis.
Com este documento, a UMAR espera contribuir para a promoção de processos institucionais não-discriminatórios, tornando a Universidade do Minho uma instituição, de facto, sem muros. 

A UMAR aproveita ainda para congratular as personalidades nomeadas, que pelo e com o seu mérito permitam uma realização plena e civicamente consciente das suas responsabilidades.

 
União de Mulheres Alternativa e Resposta | Núcleo de Braga
Braga, 18 de Maio de 2009





CONTRA AS VELHAS/NOVAS INQUISIÇÕES

13 05 2009

CONTRA AS VELHAS/NOVAS INQUISIÇÕES
PELO DIREITO A UMA VIDA COM DIREITOS

 
15 Maio | 19h | Largo S. Domingos
(junto ao Teatro Nacional D. Maria II)

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 Um conjunto de associações, nacionais e internacionais, desenvolvem, no dia 15 de Maio, uma intervenção artística pelos direitos sexuais e reprodutivos. Com o lema “Contras as Velhas/Novas Inquisições”, um grupo de actores e actrizes vão representar um auto de fé da inquisição, chamando a atenção para as semelhanças que as perseguições antigas  têm com as condenações actuais.
 
Contactos:
Salomé Coelho 965840877 | Manuela Góis 962426179 (umar.sede@sapo.pt)

Manifesto

Pois é! Umas vezes vêm de botas cardadas… outras com pezinhos de lã.

Batem com a mão no peito, fazem rezas, conferências, juntam assinaturas, lançam folhetos, dogmas, as suas certezas, as suas velhas teorias. Chegam a pôr bombas e a assassinar quem pratica o aborto de forma legal e segura.

Porque não toleram o direito à escolha, à liberdade e à auto-determinação, são contra o direito ao aborto;
Porque negam a pluralidade de modelos familiares e só querem uma família patriarcal;
Porque vivem mal com o(s) corpo(s), o(s) prazer(es), a(s) sexualidade(s).

Porque ainda recusam o direito à contracepção, ao preservativo, promovendo única e exclusivamente a abstinência.

Porque temem que os/as jovens usufruam do direito a uma Educação Sexual sem tabus; porque têm medo da liberdade e da vontade das pessoas sobre os seus corpos, movem campanhas contra o direito à informação sobre aspectos fundamentais da vida dos seres humanos.

O Mundo mudou… Portugal também.

…mas há quem queira olhar para a vida, para as mulheres e para a sociedade, como se estas tivessem parado no tempo. Velhos inquisidores ainda cá estão – hoje com vestes mais modernas, mas com pensamentos muito antigos. Os autos de fé que faziam, e onde expunham e castigavam as mulheres que não se comportavam segundo os cânones (mulher submissa, irmã obediente, filha virtuosa), são hoje poderosas campanhas em que se procura perseguir e culpabilizar a sociedade – apresentando bafientas teorias e dogmas como sendo os “valores” de que a sociedade carece.

As cidadãs e cidadãos, assim como colectivos e associações promotoras desta iniciativa, reafirmam que continuam e continuarão a lutar pelo aprofundamento e alargamento de direitos para todos e todas; reafirmam que continuam e continuarão a lutar pelo progresso das mulheres e dos homens que chegaram a este século assumindo o caminho feito como um dado adquirido de que não abrem mão. A vida é para ser vivida com felicidade, direitos, em plenitude e não como um calvário ou um sofrimento, regimentada por velhas regras que alguns grupos nos querem impor.

Porque não queremos mais homofobia nem transfobia neste país.

Porque recusamos qualquer forma de discriminação em função da orientação sexual e das identidades de género(s).

Porque não podemos aceitar que se estigmatizem as pessoas seropositivas.

Porque nos negamos a viver numa sociedade patriarcal em que as mulheres são menorizadas.

Lutaremos sempre por Direitos Civis e por Direitos Sexuais e Reprodutivos, para todos e todas, em plena igualdade.

Exprimimos a nossa solidariedade com todas as pessoas que noutros países – e em particular o Estado Espanhol e Brasil – lutam pelo direito a interromper uma gravidez por decisão da mulher.

Os “novos” autos de fé e as perseguições são sempre momentos de retrocesso e de vergonha que deviam, há muito, fazer parte de um passado enterrado.
 
Associações Subscritoras
Associação Olho Vivo | Associação Positivo | Clube Safo | Comuna – Teatro de Pesquisa | Luís Castro (Karnart) | Médicos Pela Escolha | Não Te Prives – Grupo de Defesa dos Direitos Sexuais | NOSOTRAS NO NOS RESIGNAMOS | Panteras Rosa – Frente de Combate às LésBiGayTransFobia | poly_portugal | Ponto Bi | SERES.VIH.SIDA | SOLIM – Associação para a defesa dos direitos imigrantes | SOS Racismo | UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta





Revolucione-se a Igreja!

9 05 2009

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As últimas notícias são esclarecedoras da necessidade da readaptação da Igreja e seus dogmas às sociedades. A ver pelas reacções tomadas relativamente ao muito divulgado caso da criança de nove anos, de Pernambuco, violada pelo padrasto e “excomungada de sua casa”, junto com a equipa de profissionais que a acompanharam e realizaram a interrupção da gravidez, e às declarações do Papa Bento XVI em Angola, enquanto arrebanhava no continente africano, afirmando que “a distribuição de preservativos… pode até aumentar o problema (do HIV)”. Declarações que, entre outras, constituem uma Ameaça!

Sobre o primeiro facto, o que se poderá dizer desta instituição que “protege” a selvajaria e afasta tanto os fiéis como os “infiéis” (alguns, inclusive, sem o raciocínio crítico para serem seus fiéis!) em nome da vida? Já as vozes e outros ecos que se ouvem “aqui e ali”, reprovadores do uso do preservativo, são verdadeiros crimes! Informação útil: os preservativos continuam a ser o meio mais eficaz e abrangente na prevenção de doenças infecto-contagiosas nas relações sexuais heterossexuais ou homossexuais (sim, porque com ou sem consentimento, abençoadas ou não, as há!).

Sendo o povo crente ou não, (tóxico)dependente de suas orientações, parece-me insano privá-los de quaisquer tomadas de decisão acerca do seu corpo e da sua saúde, apoderar-se da Moral,  julgando comportamentos ou acções que, em última análise, são libertadores das injustiças cometidas. Denunciemos, antes, as atrocidades perpetradas sobre os povos espoliados e oprimidos ou os inúmeros abusos e violações de crianças e mulheres, legitimados pelas sociedades. Preocupemo-nos com os reais direitos dos seres humanos!

Por favor, esclareça a sua posição: ora defensores da vida, imposta a alguém que pouco dela saboreou, ora proliferadores de vírus, estes sim, infernais, ladrões de vidas inocentes! De outra forma, revolucione-se. Quanto a mim, esclareça-se, no meu corpo mando eu!

P’lo Núcleo de Braga da UMAR
Tatiana Mendes

Imagem: Angel Boligan, in “El Universal”





Nem tudo o que parece, é!

1 05 2009

artwork_images_191_305914_cindy-shermanEntre avanços e retrocessos, a mulher deixou o lar, delegou em outrem (parte) da educação dos/as filhos/as, começou a obter o seu próprio salário. O cenário parece, de facto, auspicioso: a mulher sai de casa, liberta-se do cordão de dependência (e subordinação!) do marido, tende a constituir-se como um membro da sociedade auto-suficiente.

Contudo, o panorama não é tão agradável como se pensa. Não obstante a crescente feminização do mercado de trabalho, este continuar a exibir uma estrutura patriarcal que marginaliza as mulheres, ainda encaradas como excepções num universo, “por natureza”, dos homens!

Para comprovar as minhas asserções, atentemos nos traços mais proeminentes da realidade laboral portuguesa:

- A participação das mulheres no mercado de trabalho é incontestável. Todavia, não nos deixemos seduzir por meros valores, pois apenas nos induzem em erro. Não podemos olvidar a maior vulnerabilidade feminina no que concerne ao desemprego. Com efeito, a taxa de desemprego da mulher é muito mais insinuante do que a do homem. No quarto trimestre de 2008 (INE, Estatísticas do Emprego), a taxa de desemprego nos homens foi de 6,8% enquanto a das mulheres ascendeu aos 8,9%.

- A entrada massiva das mulheres no mercado de trabalho contribui para a sua emancipação. Porém, a máxima “salário igual para trabalho de valor equivalente” é assaz adulterada. Em média, os salários das mulheres são nitidamente inferiores aos dos homens, mesmo nos níveis de qualificação mais elevados.

- Qualquer situação desviante da norma é punida (hipocritamente): veja-se o caso da gravidez, por exemplo. Quantas mulheres ainda são demitidas pelo facto de terem engravidado? Não raras são as entrevistas de emprego que levantam a questão: quando pretende ter filhos? Mais. Quantas mulheres protelam a maternidade em virtude de os desejos da entidade patronal?!

- As mulheres estão em maioria nas universidades – é um facto inegável. Contudo: detêm elas o mesmo estatuto que os homens? Não! Há, por um lado, uma concentração feminina num conjunto restrito de actividades profissionais, a saber, serviços pessoais e domésticos, saúde e acção social e educação – segregação horizontal. Por outro, a nível da verticalidade do mercado de trabalho, verifica-se uma maior prevalência das mulheres nos níveis inferiores da hierarquia profissional, ou seja, à medida que aumentam os níveis de qualificação, a concentração feminina diminui – segregação vertical.

- A violência laboral transfigurada no assédio moral e sexual torna-se cada vez mais evidente e nefasta para as relações entre os indivíduos. O assédio moral corresponde a tentativas de descredibilizar, escarnecer, menosprezar manifestadas por um indivíduo em relação a um que lhe é hierarquicamente inferior. Esta forma de violência é, frequentemente, exercida sobre mulheres que retomam as suas funções laborais após um interregno para usufruir da licença de maternidade. O assédio sexual consiste, por seu turno, num comportamento de cariz sexual indesejado por quem é objecto da mesma. Traduz-se em suborno sexual (a vítima é aliciada com oportunidades de formação profissional, promoções, aumento de salário se aceder aos “pedidos” que lhe são colocados); comentários inoportunos, agressões físicas, posturas sexuais. De notar que, uma vez que as mulheres estão escassamente representadas nas posições de chefia, as vítimas de assédio sexual são maioritariamente do sexo feminino.

“Nem tudo o que parece, é”. A menção desta expressão não poderia ser mais oportuna.
O facto de as mulheres participarem no mercado de trabalho não significa que detenham o mesmo estatuto e oportunidades que os homens. Pelo contrário, parece que deixaram a subserviência doméstica para serem marginalizadas no emprego!

A igualdade, essa, ainda está longe de ser uma realidade.

 

P’lo Núcleo de Braga da UMAR
Anabela Santos

Imagem: Cindy Sherman





Qual é hoje o papel da mulher no mercado de trabalho?

1 05 2009

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No âmbito da comemoração do Dia do/a Trabalhador (a), o núcleo de Braga da UMAR saiu à rua para lançar uma questão que teima em não calar: Qual é hoje o papel da mulher no mercado de trabalho?

Entrevistando mulheres e homens de diversas faixas etárias e estatutos socioeconómicos, o núcleo obteve respostas, no mínimo, interessantes.
Ora vejamos: 

NOME: Maria Rosa
IDADE: 50 anos
PROFISSÃO: Empregada Comercial
Considero que a mulher hoje no mercado de trabalho é uma escrava, porque tem de trabalhar e estar em casa. Se as mulheres, especialmente se têm filhos, se dedicassem mais aos filhos e à vida familiar, talvez o país melhorasse porque há muita falta de emprego. Há uns anos atrás, era uma percentagem muito pequenina de mulheres que trabalhavam fora, davam mais assistência às suas famílias. Hoje anda tudo desorganizado!

NOME: Andreia Fernandes
IDADE: 20 anos
PROFISSÃO: Comerciante de loja
As mulheres são importantes no mercado de trabalho porque têm muitas ideias, têm um trabalho muito cooperativista, são muito meigas.

IDADE: 13 /14 anos
PROFISSÃO: Estudantes
(A) – Depende do trabalho. Algumas são exploradas, outras não.
(B) – Há trabalhos mais apropriados para as mulheres e outros para os homens.
(C) – Mas afinal todos os trabalhos dão para as mulheres, todos dão. Pode haver alguma discriminação, mas todos dão.
(D) – Queria ver-te pegar na enxada!
(C) – Todos dão para as mulheres, vêem-se mulheres a conduzir camiões, táxis, camionetas. Portanto, todos os trabalhos dão para as mulheres. Somos capazes de fazer as mesmas coisas que os homens.

NOME: Adelaide Costa
IDADE: 23 anos
PROFISSÃO: Estudante
Sinceramente, acho que hoje em dia já é igual ao do homem. Aliás, já conseguem muitas vezes ocupar cargos superiores aos dos homens. Acho que hoje em dia está em igualdade.

NOME: Eduardo Velosa
IDADE: 20 anos
PROFISSÃO: Estudante de Engenharia Biológica
As mulheres no mercado de trabalho continuam a ser a mão-de-obra mais barata. Infelizmente, continuam a receber menos. Há muito mais mulheres desempregadas do que homens. A percentagem de mulheres a receber o salário mínimo é muito maior do que o número de homens. Neste momento, o seu papel cumpre os interesses económicos do país: é ser a mão-de-obra mais barata e mais explorável. É esse o papel da mulher no mercado de trabalho!

NOME: Filipe
IDADE: 24 anos
PROFISSÃO: Neurofisiologista
Penso que é fundamental, tal e qual quanto o do homem, não é? Nem um, nem outro é superior. Penso que ambos devem ser tratados de igual forma e que a igualdade de oportunidades para ambos é uma mais-valia para a sociedade em geral.

NOME: Joaquim Rocha
IDADE: 39 anos
PROFISSÃO: Professor Universitário
É um papel necessariamente cada vez mais activo. Tem que ser reconhecido por todos e não é um problema de saber se a mulher tem ou não esse papel, quer dizer, é inato à própria condição de ser mulher ter um papel no mercado de trabalho. O problema é compatibilizar a vida da mulher no local de trabalho com o outro estatuto que ela tem, que a maior parte dos homens não terá, que é a assunção da vida familiar, uma série de encargos que os homens não têm. Portanto, não é um problema de reconhecimento de estatuto, esse têm-no indubitavelmente. É o problema de na prática poder compatibilizar esse estatuto com o estatuto não profissional ou não ligado ao mercado de trabalho, um estatuto mais pessoal e mais familiar.

NOME: Rodrigo
IDADE: 17 anos
PROFISSÃO: Estudante
Está a evoluir na sociedade…

NOME: Artur Pereira
IDADE: 53 anos
PROFISSÃO: Empregado comercial
O papel da mulher é fazer as tarefas domésticas, tratar dos filhos e trabalhar. De qualquer forma, temos de louvá-las, não é?

NOME: Maria
IDADE: 30 anos
PROFISSÃO: Bailarina
As mulheres ainda se vêem muito diminuídas… as ofertas ainda não lhes chegam às secretárias… O papel da mulher ainda está muito diminuído.

NOME: Paula Miranda
IDADE: 20 anos
PROFISSÃO: Estudante de Psicologia
Acho que já tem evoluído muito, mas ainda há muita coisa a fazer. Ainda há a ideia que há trabalhos para homens e trabalhos para mulheres. Mas de uma maneira geral tem evoluído muito.

NOME: Ângela
IDADE: 18 anos
PROFISSÃO: Estudante de Biologia e Geologia
É óptima! E acho que as mulheres deveriam de ocupar cargos ainda maiores, de maior responsabilidade.

NOME: Pedro
IDADE: 29 anos
PROFISSÃO: Estudante de Biologia e Geologia
É muito importante. Há certos cargos que devem ser exercidos por mulheres. Têm uma sensibilidade maior. E continuam a existir cargos que se continuam a ver como cargos de homens. Há cargos que exigem muito mais esforço físico não querendo dizer que elas não tenham capacidade para isso mas há cargos. Não é o ser do homem, mas acaba por se tornar muito mais fácil a realização desse tipo de trabalho pelo homem. Há cargos que exigem maior sensibilidade, eu acho muito bem que as mulheres estejam lá. Depende da capacidade de cada um!

NOME: Augusta Silva
IDADE: 48 anos
PROFISSÃO: Empregada de Limpeza da UMinho
A mulher trabalha bastante. Trabalha mais que os homens. Quantas mais mulheres melhor para o nosso país. Dar apoio às mulheres que elas merecem!

 

União de Mulheres Alternativa e Resposta
Núcleo de Braga

Imagem: Martha Rosler