Manifesto contra o preconceito às Brasileiras

24 09 2011
Manifesto em repúdio ao preconceito contra as mulheres brasileiras em Portugal
Vimos por meio deste, manifestar nosso repúdio ao preconceito contra as mulheres brasileiras em Portugal e exigir que providências sejam tomadas por parte das autoridades competentes.
Concretamente, apontamos a comunicação social portuguesa e a forma como, insistentemente, tem construído e reproduzido o estigma de hiper sexualidade das mulheres brasileiras. Este estigma é uma violência simbólica e transforma-se em violência física, psicológica, moral e sexual. Diversos trabalhos de investigação, bem como o trabalho de diversas organizações da sociedade civil, têm demonstrado como as mulheres brasileiras são constantemente vítimas de diversos tipos de violência em Portugal.
O estigma da hiper sexualidade remonta aos imaginários coloniais que construíam as mulheres das colônias como objetos sexuais, escravas sexuais, e marcadas por uma sexualidade exótica e bizarra. Cita-se, por exemplo, a triste experiência da sul-africana Saartjie Baartman, exposta na Europa, no século XIX, como símbolo de uma sexualidade anormal. Em Portugal, esses imaginários coloniais, infelizmente, ainda são reproduzidos pela comunicação social.
Teríamos muitos exemplos a citar, mas focaremos no mais recente, o qual motivou um grupo de em torno de 140 mulheres e homens, de diferentes nacionalidades, a mobilizarem-se, a partir das redes sociais, para escrever este manifesto e conseguir apoio de diferentes organizações da sociedade civil. Trata-se da personagem “Gina”, do Programa de Animação “Café Central” da RTP (Rádio Televisão Portuguesa). A personagem é a única mulher do programa, a qual, devido ao forte sotaque brasileiro, quer representar a mulher brasileira imigrante em Portugal. A personagem é retratada como prostituta e maníaca sexual, alvo dos personagens masculinos do programa. Trata-se de um desrespeito às mulheres brasileiras, que pode ser considerado racismo, pois inferioriza, essencializa e estigmatiza essas mulheres por supostas características fenotípicas, comportamentais e culturais comuns. Trata-se de um desrespeito a todas as mulheres, pois ironiza/escarnece sua sexualidade, sua possibilidade de exercer uma sexualidade livre, o que pode ser considerado machismo e sexismo. Trata-se, ainda, de um desrespeito às profissionais do sexo, pois ironiza o seu trabalho, transformando-o em símbolo de deboche/piada/anedota, sendo que não é um trabalho criminalizado em Portugal, portanto, é um direito exercê-lo livre de estigmas. No anexo 1 desta carta estão: o vídeo de um dos episódios (na versão on-line), e a transcrição de um dos episódios, bem como, a imagem dos personagens (na versão impressa). Destacamos que o fato é agravado por se tratar de uma emissora pública, a qual em hipótese alguma deveria difundir valores que ferem o direito das mulheres e da dignidade humana.
Exigimos, das autoridades competentes, que se faça cumprir a “CEDAW – Convenção para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra as Mulheres”, da qual tanto Portugal, como o Brasil, são signatários. Destacamos, também, o “Memorando de Entendimento entre Brasil e Portugal para a Promoção da Igualdade de Gênero”, no qual consta que estes países estão “Resolvidos a conjugar esforços para avançar na implementação das medidas necessárias para a eliminação da discriminação contra a mulher em ambos os países”.

 

Coordenação do Manifesto. http://manifestomulheresbrasileiras.blogspot.com/





Observatório das representações de género nos media

28 11 2010

Novo Observatório das representações de género nos media

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OBSERVATÓRIO DAS REPRESENTAÇÕES DE GÉNERO NOS MEDIA

29 03 2010

Para comemorar da melhor maneira os dois anos de trabalho do núcleo de Braga da UMAR, divulgamos o lançamento do site de apoio ao nosso OBSERVATÓRIO DAS REPRESENTAÇÕES DE GÉNERO NOS MEDIA.

A partir de agora poderão acompanhar este trabalho em www.observatoriogenero.pt.vu. Este projecto está ainda em construção e por isso mesmo aguardamos as vossas sugestões e comentários.

Bem-haja e bem-vind@s a este “nosso” projecto que só poderá singrar no futuro com a vossa colaboração!





Reinterpretações masculinizantes

26 01 2010

A propósito de um artigo sobre o Poliamor que merece resposta: http://www.fhm.pt/site/content/article.aspx?ID=36259

Ora bem, creio que é preciso, primeiro, fazer notar obviamente que, sim, fui eu a ser entrevistado naquele artigo. E que também já contava com que houvesse uma qualquer reapropriação do conteúdo em tons mais gozões. Tendo estado há vários meses envolvido com um projecto de pesquisa que pretende estudar, entre outros títulos, a FHM e a forma como as revistas masculinas e femininas em Portugal representam a mulher, já sabia, mais ou menos, com o que podia contar. Pode portanto questionar-se porque é que o fiz. Já lá irei.

Em segundo lugar, também não quero deixar de fazer notar o meu engajamento com o assunto em mãos, tanto académico como pessoal. Se o pessoal é efectivamente político, então falar sobre as possibilidades da vida privada é também um acto político, e implica não menosprezar um determinado campo social – como o dos sentimentos, neste caso – apenas por esse mesmo campo não fazer parte do que é comummente tido como político.
Uma das mais interessantes constatações que faço a partir desta minha experiência foi a de que a FHM faz uma restruturação daquilo que é dito, uma releitura, digamos, a partir daquilo que o entrevistador diz e a partir do que o texto faz passar. As coisas que eu ali apareço a dizer estão fundamentalmente correctas – eu disse-as. Por outro lado, o tom da conversa, dado pela forma como o entrevistador faz comentários variados, não se deu daquela forma. E é aí que entram as reinterpretações. E também as dificuldades.
Se olharmos com calma para este artigo, duas coisas são aparentes. Uma delas tem que ver com o próprio registo editorial da FHM, e a outra com o tema escolhido.
O registo editorial da FHM faz com que a revista seja, obviamente, escrita para homens. Mas fá-lo através de um exagero, através de uma superabundância discursiva de marcas masculinizantes, como esta ideia de que um homem possa possuir sexualmente várias mulheres em simultâneo. E há uma tentativa, no editorial, de reduzir o tema em questão, fazendo com que este seja visto apenas de um ponto de vista retórico e artificialista, tendo como fim último a eliminação de qualquer possibilidade de culpa por parte do homem, uma forma de se justificar cognitivamente perante si mesmo. Só que o exagero estilístico torna todas estas manobras simples, evidentes, claras. Não há uma retórica propositadamente escondida. As piadas machistas estão perante qualquer leitor, que as identifica ao rir-se desta ou daquela frase. Com uma fácil construção vem também uma fácil desmontagem.
O segundo elemento prende-se com o tema em questão. O poliamor tem, nas suas bases, ideias bastante ligadas ao feminismo, à teoria queer de reinvenção e reconstrução identitária. A própria palavra e a forma como surgiu mostra isso mesmo. O poliamor arrasta para a frente o campo emocional, relacional, recusando-se a menorizar-se perante uma racionalidade supostamente superior e supostamente masculina. O poliamor permite precisamente actos de reavaliação de estereótipos ao não estar a adjudicar necessariamente um dado comportamento (neste caso, relações afectivas e/ou sexuais múltiplas, responsáveis e com conhecimento) apenas ao homem ou à mulher. Aquilo que o artigo parece esquecer, propositadamente, é que, se o homem poderia ter várias companheiras, então também a mulher poderia estar com várias pessoas ao mesmo tempo. Essa abordagem não é feita, e surge então um silêncio no que a isso diz respeito. Um silêncio sobre as implicações para o homem, para a sua masculinidade tantas vezes vista como territorial e possessiva, do que isso pode querer dizer, do facto de possível empowerment feminino, de confusão entre masculino e feminino, de subversão possível de identidades.
No entanto, e aqui regressamos à questão de porque é que eu falei para a FHM, sabendo tudo isto, o artigo e os seus propósitos de normativização masculina derrotam-se a si mesmos. Ao remeter para os conteúdos encontrados on-line, para os sites de referência, o artigo da FHM ganha uma dimensão de intertextualidade que permite a qualquer pessoa ir para além daquilo que ali está apresentado – fontes essas que, de uma forma ou de outra, fazem apelo para tudo aquilo que se procurou silenciar por entre as muitas piadas.
A partir daí, a responsabilidade encontra-se em cada um de nós. Não é um texto muito bem escrito que irá automaticamente iluminar alguém, nem é um texto tendencioso que irá automaticamente confundir alguém. Apesar de tudo, há que encontrar uma certa humildade quando consideramos como é feita a recepção de cada mensagem, sem existirem dados concretos sobre isso. A coisa complexifica-se quando se introduz a questão do hipertexto.
Quem ficou com a curiosidade despertada pelo artigo poderá perfeitamente ir em busca de mais informação on-line: e quem garante que essa informação não possa contribuir para mudar algo na vida dessa pessoa, para alterar a visão com que partiu, inicialmente, em busca de algo para sedimentar a sua hegemonia?

Termino dizendo que, obviamente, não é essa visão fechada e machista que perfilho, no que toca ao Poliamor. Vejo neste modelo relacional uma grande potencialidade, mesmo que actualmente subaproveitada, para derrotar condicionalismos e desigualdades de género há muito vigentes na formulação machista do heteronormativismo. Nada tenho contra a monogamia, nem a considero inferior; nem ao poliamor superior. Não – aqui a questão é a de quando uma determinada acção se impõe socialmente como natural e evidente, secando a ideia de que não é preciso escolher porque não há outra escolha. A liberdade depende da possibilidade de escolhermos. A escolha depende do nosso conhecimento de quais são as alternativas. O poliamor não se pretende afirmar como melhor, superior ou mais avançado – apenas diferente mas equivalente. Da mesma forma que o feminismo não pretende afirmar a supermacia das mulheres, também o poliamor não pretende afirmar a superioridade de mais do que a honestidade e respeito de quem assim escolher viver. Uma honestidade e respeito que é preciso também ser estendida a outras formas relacionais – monogamia incluída, claro! – sob o risco de se cair, caso contrário, numa contradição intolerável entre princípios e atitudes.

Se tudo pode ser questionado, então o amor faz parte desse tudo. Como faz parte o sexo, como faz parte a definição de fidelidade, de compromisso, de liberdade.
Daniel Cardoso
Links interessantes:
http://polyportugal.blogspot.com (escrevo para lá às Sextas)




Casamento entre pessoas do mesmo sexo aprovado

10 01 2010

Vale a pena ler algumas notícias sobre a aprovação da proposta de lei do Governo que legaliza o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

http://www.publico.pt/Política/casamento-gay-aprovado-com-votos-da-esquerda_1416871

http://www.publico.pt/Política/um-brinde-a-liberdade-celebra-na-rua-a-decisao-do-parlamento_1416900

http://www.publico.pt/Política/mario-soares-diz-que-e-uma-questao-de-direitos-humanos_1416867

http://www.correiodominho.com/noticias.php?id=20861





Lei da Paridade não fecha portas à discriminação

14 11 2009

Depois de fechado um ciclo eleitoral e de assistirmos a um aumento subtancial de mulheres na política, será que a igualdade é mesmo uma realidade. O jornal Público procura respoder a esta questão. Aqui.





Participação de mulheres em cargos de topo está congelada

14 11 2009

PVCAIMI9JDCA3AHRCRCAY220N7CAG6FGEXCAUV5C8TCA3UXEWJCAZJQ4VDCA2FNQJGCA4LV5I9CANUWMHECAL9BEM1CA5A7Y3LCA6R746PCAXL4RQ7CABFZMT4CAVV2LJNCA4ZUOZSCACPA0H6CA9SK8DWUma notícia do jornal Público refere que “Em dez anos, o acesso de mulheres a lugares de direcção pouco se alterou. Os preconceitos, a gravidez ou o apoio à família ainda as penalizam”. Ver mais aqui.