FESTIVAL DE ARTE FEMINISTA

2 09 2010

A Rede Portuguesa de Jovens para a Igualdade de Oportunidades entre Mulheres e Homens convida:

“Apelamos à participação e à ampla divulgação do Festival de Arte Feminista, que terá lugar entre os dias 8 e 11 de Setembro, em diversos espaços da cidade do Porto (Rota do Chá, Labirinto e Cadeira de Van Gogh).

Enquadrado na segunda edição do projecto “de Mulher para Mulher” (dMpM2), promovido pela Rede Portuguesa de Jovens para a Igualdade de Oportunidades entre Mulheres e Homens, e organizado pelas mentoradas Ana Forte, Lucinda Saldanha e Rita Machado, o Festival de Arte Feminista procura reunir sinergias em torno da temática da (des)igualdade de género, sensibilizar para a actualidade do movimento feminista, reflectir sobre a visibilidade das mulheres no mundo artístico e ainda promover o envolvimento de homens e jovens rapazes nas questões de género.

Reflectindo sobre a arte como um instrumento privilegiado de activismo, intervenção e mudança social, estão previstos espaços de partilha informal de experiências, ideias e percursos de vida entre artistas e público em geral, momentos de exposição de várias linguagens artísticas, destacando-se a performance, fotografia, pintura, música e literatura, contando ainda com a presença de activistas em questões de género: Ana Paula Canotilho, Luísa Salgueiro, Maria José Magalhães, Ana Luísa Amaral, Manuel Albano, entre outros.

Contamos contigo! A tua PRESENÇA pode fazer a DIFERENÇA!”

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MORREU JOSÉ SARAMAGO ! A UMAR SENTE A SUA FALTA !

22 06 2010

Morreu José Saramago, o homem, o escritor, laureado pelo Prémio Nobel da Literatura. Autor que trouxe a indignação para o centro da sua escrita, que inspirou muitas outras formas de arte, da ópera ao cinema, da dança à pintura, Saramago contribuiu para a construção de um novo imaginário social, não apenas ibérico, mas humano, também na diversidade feminina e masculina da humanidade.

Na sua obra, as figuras femininas são tratadas fora do estereótipo, como protagonistas, algumas, independentes, cheias de força, negando a divisão dicotómica do mundo. De Blimunda, em Memorial do Convento a Maria Sara, de História do Cerco de Lisboa, de Maria, de Envangelho Segundo Jesus Cristo, à mulher do médico, de Ensaio Sobre a Cegueira, José Saramago expandiu o universo simbólico de referências para a resistência à opressão de dominação também de género.

Saramago apresenta as vozes das mulheres, na sua pluralidade, mas também debaixo de uma ordem de género. Escreveu “[…] não fosse falarem as mulheres umas com as outras, já os homens teriam perdido o sentido da casa e do planeta”, “a culpa não é da lingua que fala
[Maria], senão dos homens que a inventaram, pois nela as palavras justo e piedoso, simplesmente, não têm feminino”.

A UMAR, como associação de mulheres e feminista, sente a enorme perda deste grande escritor, deste homem que foi capaz de se dedicar à criação e, simultaneamente, estar ao lado e ser solidário em grandes causas humanitárias, incluindo causas feministas. Envia, assim, um abraço solidário e feminista à sua companheira e esposa Pilar del Rio, na sua dor, clamando que, também para as feministas, Saramago continuará vivendo na sua obra, no legado do seu pensamento, no exemplo da sua acção.

Saramago disse, a certa altura, “Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar.”

Até sempre,
Maria José Magalhães,
Presidente da UMAR





Strawberry fields forever

22 06 2010

O homens europeus descem sobre Marrocos com a missão de recrutar mulheres.
Nas cidades, vilas e aldeias é afixado o convite e as mulheres apresentam-seno local da selecção. Inscrevem-se, são chamadas e inspeccionadas como cavalos ou gado nas feiras. Peso, altura, medidas, dentes e cabelo, e qualidades genéricas como força, balanço, resistência. São escolhidas a dedo, porque são muitas concorrentes para poucas vagas. Mais ou menos cinco mil são apuradas em vinte e cinco mil. A selecção é impiedosa e enquanto as escolhidas respiram de alívio, as recusadas choram e arrepelam-se e queixam-se da vida. Uma foi recusada porque era muito alta e muito larga.

São todas jovens, com menos de 40 anos e com filhos pequenos. Se tiverem mais de 50 anos são demasiado velhas e se não tiverem filhos são demasiado perigosas. As mulheres escolhidas são embarcadas e descem por sua vez sobre o Sul de Espanha, para a apanha de morangos. É uma actividade pesada, muitas horas de labuta para um salário diário de 35 euros. As mulheres têm casa e comida, e trabalham de sol a sol.

É assim durante meses, seis meses máximo, ao abrigo do que a Europa farta e saciada que vimos reunida em Lisboa chama Programa de Trabalhadores Convidados. São convidadas apenas as mulheres novas com filhos pequenos, porque essas, por causa dos filhos, não fugirão nem tentarão ficar na Europa. As estufas de morangos de Huelva e Almería, em Espanha, escolheram-nas porque elas são prisioneiras e reféns da família que deixaram para trás. Na Espanha socialista, este programa de recrutamento tão imaginativo, que faz lembrar as pesagens e apreciações a olho dos atributos físicos do escravos africanos no tempo da escravatura, olhos, cabelos, dentes, unhas, toca a trabalhar, quem dá mais, é considerado pioneiro e chamam-lhe programa de “emigração ética”. Os nomes que os europeus arranjam para as suas patifarias e para sossegar as consciências são um modelo. Emigração ética, dizem eles.

Os homens são os empregadores. Dantes, os homens eram contratados para este trabalho. Eram tão poucos os que regressavam a África e tantos os que ficavam sem papéis na Europa que alguém se lembrou deste truque de recrutar mulheres para a apanha do morango. Com menos de 40 anos e filhos pequenos.

As que partem ficam tristes de deixar o marido e os filhos, as que ficam tristes ficam por terem sido recusadas. A culpa de não poderem ganhar o sustento pesa-lhes sobre a cabeça. Nas famílias alargadas dos marroquinos, a sogra e a mãe e as irmãs substituem a mãe mas, para os filhos, a separação constitui uma crueldade. E para as mães também. O recrutamento fez deslizar a responsabilidade de ganhar a vida e o pão dos ombros dos homens, desempregados perenes, para os das mulheres, impondo-lhes uma humilhação e uma privação.

Para os marroquinos, árabes ou berberes, a selecção e a separação são ofensivas, e engolem a raiva em silêncio. Da Europa, e de Espanha, nem bom vento nem bom casamento. A separação faz com que muitas mulheres encontrem no regresso uma rival nos amores do marido.

Que esta história se passe no século XXI e que achemos isto normal, nós europeus, é que parece pouco saudável. A Europa, ou os burocratas europeus que vimos nos Jerónimos tratados como animais de luxo, com os seus carrões de vidros fumados, os seus motoristas, as suas secretárias, os seus conselheiros e assessores, as suas legiões de servos, mais os banquetes e concertos, interlúdios e viagens, cartões de crédito e milhas de passageiros frequentes, perdeu, perderam, a vergonha e a ética. Quem trata assim as mulheres dos outros jamais trataria assim as suas.

Os construtores da Europa, com as canetas de prata que assinam tratados e declarações em cenários de ouro, com a prosápia de vencedores, chamam à nova escravatura das mulheres do Magreb “emigração ética”. Damos às mulheres “uma oportunidade”, dizem eles. E quem se preocupa com os filhos? Gostariam os europeus de separar os filhos deles das mães durante seis meses? Recrutariam os europeus mães dinamarquesas ou suecas, alemãs ou inglesas, portuguesas ou espanholas, para irem durante seis meses apanhar morango? Não. O método de recrutamento seria considerado vil, uma infâmia social. Psicólogos e institutos, organizações e ministérios levantar-se-iam contra a prática desumana e vozes e comunicados levantariam a questão da separação das mães dos filhos numa fase crucial da infância. Blá, blá, blá. O processo de selecção seria considerado indigno de uma democracia ocidental. O pior é que as democracias ocidentais tratam muito bem de si mesmas e muito mal dos outros, apesar de querem exportar o modelo e estarem muito preocupadas com os direitos humanos. Como é possível fazermos isto às mulheres? Como é possível instituir uma separação entre trabalhadoras válidas, olhos, dentes, unhas, cabelo, e inválidas?

Alguns dos filhos destas mulheres lembrar-se-ão.

Alguns dos filhos destas mulheres serão recrutados pelo Islão.

Esta Europa que presume de humana e humanista com o sr. Barroso à frente, às vezes mete nojo.

 Clara Ferreira Alves sobre a Europa.

Expresso, em http://aeiou.expresso.pt/strawberry-fields-forever=f196865





Teresa e Helena já estão casadas

21 06 2010

Quatro anos após a primeira tentativa frustrada, Helena Paixão e Teresa Pires transformaram-se hoje no primeiro casal homossexual a contrair casamento civil. Vestidas de maneira informal, as duas mulheres casaram na 7.ª conservatória de Lisboa, sob o olhar atento de alguns amigos e familiares e rodeadas de jornalistas que se apresentaram no local para transmitir o acontecimento em directo.
Helena Paixão e Teresa Pires, com as filhas, depois de se terem casado (Hugo Correia/Reuters)
 
Com alguns convidados (um deles levou uma bandeira do movimento LGBT) e uma multidão de jornalistas, a cerimónia começou às 09h40 e ao fim de cerca de 20 minutos a conservadora Cecília Rocha declarou que “em nome da lei e da República portuguesa, Teresa Pires e Helena Paixão estão casadas”. As duas mulheres não esconderam a emoção e abraçaram-se, suscitando na assistência um forte aplauso.

Teresa e Helena, que vestiam roupa informal (t-shirt, calças e ténis), cumpriram assim o “sonho”, como designou Teresa, de casar e viver como “ uma família”. “Neste momento somos uma família. Isso é fundamental”, disse Teresa aos jornalistas. “Era um sonho de família”, acrescentou.

“Mas não é o final da luta”, alertou, apontando que, entre as muitas batalhas que ainda querem travar, está a questão da parentalidade. Refira-se que Helena e Teresa têm duas filhas, de casamentos anteriores. As duas meninas, Marisa e Beatriz estiveram presentes na cerimónia, sentadas na primeira fila, ao lado da mãe e do padrasto de Helena.

Luís Grave Rodrigues, o advogado que acompanhou a luta destas mulheres ao longo de quatro anos, estava radiante. No final da cerimónia (ele e a mulher foram testemunhas, convidados por Teresa), Rodrigues frisou que este primeiro casamento representa “uma vitória de todos os portugueses” e do “Estado de direito”. Lembrou ainda que Helena e Teresa “foram as primeiras a dar a cara” e a “ter coragem” para lutar pelo casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Em Fevereiro de 2006, Helena e Teresa tentaram dar entrada a um processo de casamento na 7ª conservatória de Lisboa, precisamente aquela onde casaram esta manhã. O pedido foi-lhes negado e, desde então, as duas mulheres iniciaram uma batalha legal que passou pelo Tribunal Cível de Lisboa Tribunal da Relação, Supremo Tribunal de Justiça e Tribunal Constitucional.

Em Julho do ano passado, o Tribunal Constitucional, para o qual tinham recorrido depois da Relação, rejeitou-lhes o pedido, embora a decisão não tenha sido unânime.

Ao fim de quatro anos, promulgada a lei que permite o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, Helena e Teresa conseguiram finalmente contrair casamento. Foram as primeiras. Esta noite a comemoração continua num jantar com amigos.

 Em Público, 07 de Junho de 2010, http://ww2.publico.pt/Sociedade/teresa-e-helena-ja-estao-casadas_1440836





Feminismos em Portugal

22 05 2010

“A palavra “feminismo”, de significação elástica, deturpada, corrompida, mal interpretada, já não diz nada das reivindicações feministas. Resvalou para o ridículo, numa concepção vaga, adaptada incondicionalmente a tudo quanto se refere à mulher. Em qualquer gazela, a cada passo, vemos a expressão “vitórias do feminismo” – referente, às vezes, a uma simples questão de modas! (…) É a razão por que não posso aceitar nem o feminismo de votos e muito menos o feminismo de caridades. E enquanto isso a mulher se esquece de reivindicar o direito de ser dona de seu próprio corpo, o direito da posse de si mesma. Sou “indesejável”, estou com os individualistas livres, os que sonham mais alto, uma sociedade onde haja pão para todas as bocas, onde se aproveitem todas as energias humanas, onde se possa cantar um hino à alegria de viver na expansão de todas as forças interiores (…).” Maria Lacerda de Moura (1887-1945)

Com prazer, trazemos ao Gato uma noite de conversa sobre um dos mais importantes movimentos revolucionários.

Feminismo em Portugal

Debate: 22 de Maio, 21h30 Entrada Livre

Programa:

Principais conquistas no âmbito dos direitos das mulheres em Portugal, Ana Paula Canotilho (Directora executiva da UMAR para a prevenção da violência de género)

A mulher na sociedade portuguesa do século XXI – direitos adquiridos e por adquirir, Vânia Martins (Psicóloga, membro da UMAR e da Marcha Mundial das Mulheres)

Os jovens e as questões de género – relatos, Luísa Saavedra (Feminista, docente da Universidade do Minho e investigadora em estudos de género)





Marcha Contra a Homofobia e Transfobia

14 05 2010

::Marcha Contra a Homofobia e Transfobia

Coimbra | 17 de Maio | 16h30

Largo da Portagem – Praça 8 de Maio::

Celebra-se a 17 de Maio o Dia Internacional Contra a Homofobia e a Transfobia porque, ao teu lado, há quem viva a discriminação todos os dias, mesmo que num silêncio imposto pelo medo, pela solidão ou pela vergonha. Por isso, importa sair à rua, olhar nos olhos, ocupar o espaço. Para muitas pessoas, tu podes fazer a diferença. É a ti, também, que compete dar uma resposta, derrubar muros, combater a ignorância, promover a igualdade e o respeito. Não faças de conta que não sabes. Não faças de conta que nada disto de afecta. Não compactues, não silencies, não encolhas os ombros. Este dia é teu, sai do armário, e vem marcar a tua presença junto de nós!

16h30

Concentração – Largo da Portagem

17h00

Marcha – Largo da Portagem – Praça 8 de Maio

18h00

Leitura do Manifesto/ Performances

(Praça 8 de Maio)

19h00

Beijaço contra a Homofobia

(Praça 8 de Maio)

20h00

Jantar Convívio – Cantinas Amarelas

23h00

Festa – Bar Bigorna – Sé Velha

Todas as informações em:

http://marcha2010.naoteprives.org/

Nota: Se pretendes ir à marcha ou se, mesmo não estando presente, concordas com a sua realização, envia para o e-mail marcha2010@naoteprives.org o teu testemunho (podem ser duas linhas apenas) e uma fotografia (facultativo) para o colocarmos na nossa página da internet.





Marcha pelos Direitos Humanos

7 05 2010

Braga, O7 de Maio de 2010

 O sol lá apareceu e brindou os presentes. Os muitos presentes puderam ouvir palavras de ordem que desde os mais pequenos aos mais crescidos enchiam de orgulho.

Marchava-se pelos direitos humanos.

Foi bom ver o empenho com que muitas crianças e jovens empunhavam cartazes com os direitos. Foi bom ver o empenho dos bracarenses a receber de braços abertos os que faziam caminho por esta causa.

E foi assim que Braga viu unir muito do seu povo em torno de uma causa que é de todos…

E que se continue a lutar pelo respeito dos direitos humanos.

Parabéns ao movimento associativo que fez com que este evento tomasse forma.