Teresa e Helena já estão casadas

21 06 2010

Quatro anos após a primeira tentativa frustrada, Helena Paixão e Teresa Pires transformaram-se hoje no primeiro casal homossexual a contrair casamento civil. Vestidas de maneira informal, as duas mulheres casaram na 7.ª conservatória de Lisboa, sob o olhar atento de alguns amigos e familiares e rodeadas de jornalistas que se apresentaram no local para transmitir o acontecimento em directo.
Helena Paixão e Teresa Pires, com as filhas, depois de se terem casado (Hugo Correia/Reuters)
 
Com alguns convidados (um deles levou uma bandeira do movimento LGBT) e uma multidão de jornalistas, a cerimónia começou às 09h40 e ao fim de cerca de 20 minutos a conservadora Cecília Rocha declarou que “em nome da lei e da República portuguesa, Teresa Pires e Helena Paixão estão casadas”. As duas mulheres não esconderam a emoção e abraçaram-se, suscitando na assistência um forte aplauso.

Teresa e Helena, que vestiam roupa informal (t-shirt, calças e ténis), cumpriram assim o “sonho”, como designou Teresa, de casar e viver como “ uma família”. “Neste momento somos uma família. Isso é fundamental”, disse Teresa aos jornalistas. “Era um sonho de família”, acrescentou.

“Mas não é o final da luta”, alertou, apontando que, entre as muitas batalhas que ainda querem travar, está a questão da parentalidade. Refira-se que Helena e Teresa têm duas filhas, de casamentos anteriores. As duas meninas, Marisa e Beatriz estiveram presentes na cerimónia, sentadas na primeira fila, ao lado da mãe e do padrasto de Helena.

Luís Grave Rodrigues, o advogado que acompanhou a luta destas mulheres ao longo de quatro anos, estava radiante. No final da cerimónia (ele e a mulher foram testemunhas, convidados por Teresa), Rodrigues frisou que este primeiro casamento representa “uma vitória de todos os portugueses” e do “Estado de direito”. Lembrou ainda que Helena e Teresa “foram as primeiras a dar a cara” e a “ter coragem” para lutar pelo casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Em Fevereiro de 2006, Helena e Teresa tentaram dar entrada a um processo de casamento na 7ª conservatória de Lisboa, precisamente aquela onde casaram esta manhã. O pedido foi-lhes negado e, desde então, as duas mulheres iniciaram uma batalha legal que passou pelo Tribunal Cível de Lisboa Tribunal da Relação, Supremo Tribunal de Justiça e Tribunal Constitucional.

Em Julho do ano passado, o Tribunal Constitucional, para o qual tinham recorrido depois da Relação, rejeitou-lhes o pedido, embora a decisão não tenha sido unânime.

Ao fim de quatro anos, promulgada a lei que permite o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, Helena e Teresa conseguiram finalmente contrair casamento. Foram as primeiras. Esta noite a comemoração continua num jantar com amigos.

 Em Público, 07 de Junho de 2010, http://ww2.publico.pt/Sociedade/teresa-e-helena-ja-estao-casadas_1440836

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Feminismos em Portugal

22 05 2010

“A palavra “feminismo”, de significação elástica, deturpada, corrompida, mal interpretada, já não diz nada das reivindicações feministas. Resvalou para o ridículo, numa concepção vaga, adaptada incondicionalmente a tudo quanto se refere à mulher. Em qualquer gazela, a cada passo, vemos a expressão “vitórias do feminismo” – referente, às vezes, a uma simples questão de modas! (…) É a razão por que não posso aceitar nem o feminismo de votos e muito menos o feminismo de caridades. E enquanto isso a mulher se esquece de reivindicar o direito de ser dona de seu próprio corpo, o direito da posse de si mesma. Sou “indesejável”, estou com os individualistas livres, os que sonham mais alto, uma sociedade onde haja pão para todas as bocas, onde se aproveitem todas as energias humanas, onde se possa cantar um hino à alegria de viver na expansão de todas as forças interiores (…).” Maria Lacerda de Moura (1887-1945)

Com prazer, trazemos ao Gato uma noite de conversa sobre um dos mais importantes movimentos revolucionários.

Feminismo em Portugal

Debate: 22 de Maio, 21h30 Entrada Livre

Programa:

Principais conquistas no âmbito dos direitos das mulheres em Portugal, Ana Paula Canotilho (Directora executiva da UMAR para a prevenção da violência de género)

A mulher na sociedade portuguesa do século XXI – direitos adquiridos e por adquirir, Vânia Martins (Psicóloga, membro da UMAR e da Marcha Mundial das Mulheres)

Os jovens e as questões de género – relatos, Luísa Saavedra (Feminista, docente da Universidade do Minho e investigadora em estudos de género)





Marcha Contra a Homofobia e Transfobia

14 05 2010

::Marcha Contra a Homofobia e Transfobia

Coimbra | 17 de Maio | 16h30

Largo da Portagem – Praça 8 de Maio::

Celebra-se a 17 de Maio o Dia Internacional Contra a Homofobia e a Transfobia porque, ao teu lado, há quem viva a discriminação todos os dias, mesmo que num silêncio imposto pelo medo, pela solidão ou pela vergonha. Por isso, importa sair à rua, olhar nos olhos, ocupar o espaço. Para muitas pessoas, tu podes fazer a diferença. É a ti, também, que compete dar uma resposta, derrubar muros, combater a ignorância, promover a igualdade e o respeito. Não faças de conta que não sabes. Não faças de conta que nada disto de afecta. Não compactues, não silencies, não encolhas os ombros. Este dia é teu, sai do armário, e vem marcar a tua presença junto de nós!

16h30

Concentração – Largo da Portagem

17h00

Marcha – Largo da Portagem – Praça 8 de Maio

18h00

Leitura do Manifesto/ Performances

(Praça 8 de Maio)

19h00

Beijaço contra a Homofobia

(Praça 8 de Maio)

20h00

Jantar Convívio – Cantinas Amarelas

23h00

Festa – Bar Bigorna – Sé Velha

Todas as informações em:

http://marcha2010.naoteprives.org/

Nota: Se pretendes ir à marcha ou se, mesmo não estando presente, concordas com a sua realização, envia para o e-mail marcha2010@naoteprives.org o teu testemunho (podem ser duas linhas apenas) e uma fotografia (facultativo) para o colocarmos na nossa página da internet.





Marcha pelos Direitos Humanos

7 05 2010

Braga, O7 de Maio de 2010

 O sol lá apareceu e brindou os presentes. Os muitos presentes puderam ouvir palavras de ordem que desde os mais pequenos aos mais crescidos enchiam de orgulho.

Marchava-se pelos direitos humanos.

Foi bom ver o empenho com que muitas crianças e jovens empunhavam cartazes com os direitos. Foi bom ver o empenho dos bracarenses a receber de braços abertos os que faziam caminho por esta causa.

E foi assim que Braga viu unir muito do seu povo em torno de uma causa que é de todos…

E que se continue a lutar pelo respeito dos direitos humanos.

Parabéns ao movimento associativo que fez com que este evento tomasse forma.





VENHA MARCHAR PELOS DIREITOS HUMANOS

6 05 2010

Mais de um milhar de crianças e jovens, do Ensino Básico ao Universitário, vão marchar sexta-feira (7 de Maio), à tarde, pelo centro de Braga em defesa dos direitos humanos. A iniciativa pretende ser um marco no compromisso da cidade com a luta pelos direitos humanos.
A organização da Marcha pelos Direitos Humanos resulta de uma parceria entre a Civitas – Associação para Defesa e Promoção dos Direitos dos Cidadãos, da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva e do Centro Local de Apoio à Integração dos Imigrantes da Delegação de Braga da Cruz Vermelha Portuguesa, com o apoio da Câmara Municipal.
Na apresentação da iniciativa à comunicação social, a presidente da Civitas de Braga referiu que esta primeira marcha surge no Ano Europeu do Combate à Pobreza e à Exclusão Social e na Semana da Europa, num contexto de «globalização e, simultaneamente, em tempo de crise mundial económica, financeira e de valores».
Margarida Vilarinho defendeu que, neste cenário, os direitos humanos são «o denominador comum que une, faz e justifica a razão mais profunda da existência da comunidade».
Segundo esta responsável, a marcha vai ser um momento de «maior visibilidade» para a importância dos direitos humanos, no qual «os mais jovens, em escolarização, mostram à cidade o seu empenhamento e a cidade acompanha os seus concidadãos e incorpora-se nela, num espírito de comunhão de partilha e de compromisso».
Daí que os promotores considerem que é «fundamental» a presença dos representantes do poder político local. «Porque os elegemos para, conjuntamente, construirmos a cidade onde todos, sem excepção, possam fruir de uma vida com dignidade, porque todos são respeitados», afirmou Margarida Vilarinho.
Para além das escolas, que estão a preparar a iniciativa desde o ano passado, e dos representantes do poder local e regional, a iniciativa vai contar com a presença de instituições públicas e privadas da cidade.
A ASPA – Associação para a Defesa, Estudo e Divulgação do Património Cultural e Natural, a Associação Cultural Francisco Sá de Miranda, a UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta e a AAUM – Associação Académica da Universidade do Minho são algumas das entidades que já manifestaram o seu apoio à marcha.
Figuras do mundo do desporto como Albertina Machado e Mário Silva também vão participar, à semelhança de imigrantes e de uma delegação de alunos da Galiza. A organização dirigiu convites às embaixadas e representações diplomáticas. O objectivo é envolver toda a cidade, passando a mensagem de co-responsabilização na defesa dos direitos humanos.
«Todos temos de estar conscientes e sermos portadores de instrumentos internos para reagirmos às ameaças e às violações dos direitos humanos, seja no nosso território, seja noutro», advertiu.
A responsável pela Civitas destacou a importância da formação para a cidadania na escola para o desenvolvimento da consciencialização para a defesa dos direitos humanos.

Alerta lançado com animação

A concentração está marcada para as 15h00, no Arco da Porta Nova, onde haverá animação a cargo das orquestras de percussão “Tambombo” (EB 2,3 de Palmeira) e “Tarimba” (Colégio de Nossa Senhora das Graças), sob orientação do professor José Maria Rego. Às 16h00, começa a marcha em direcção à Avenida Central, com passagem pelas ruas D. Diogo de Sousa e do Souto.
A animação incluirá uma composição musical com algumas palavras de ordem, da responsabilidade de uma equipa coordenada pela docente Olinda Cunha. Os alunos vão transportar faixas e cartazes preparados especificamente para esta actividade.
Por volta das 16h30, começa a pintura de uma tela gigante instalada junto à Basílica dos Congregados. Esta tela vai ser, posteriormente, colocada na fachada da Torre de Menagem.
O encerramento está agendado para as 17h00, com a apresentação de uma mensagem de esperança no futuro e de canções europeias e do “Hino da Alegria”, pelo Coro da “EB 2,3 Francisco Sanches”. Paralelamente, a Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva tem patente ao público, até 15 de Maio, uma exposição de trabalhos de alunos sobre a temática dos direitos humanos.
A imagem da marcha, que também vai ser usada nas próximas edições, é da responsabilidade da pintora e professora Rosa Vaz.

 O núcleo de Braga da UMAR marcará presença na Marcha.





“A Matéria Negra da Luz dos Média” de Dara Birnbaum em Serralves

6 05 2010

E eis “A Matéria Negra da Luz dos Média” por Dara Birnbaum, até Julho de 2010 no Museu de Serralves.
Artista norte-americana, de craveira internacional, nascida em Nova Iorque, no ano de 1946, Dara Birnbaum alia a Arte à Televisão.
Desde os anos 70 que os seus trabalhos se apresentam sob a forma de vídeo ou de instalações multimédia com relevância política, já que nos mesmos a crítica à sociedade americana é uma constante, visando sobretudo a  forma como esta é caracterizada na televisão.
Dara Birnbaum procura mostrar o poder de influência social dos média e da televisão, em particular, pelo que, nas suas peças, desconstrói as imagens televisivas com diferentes técnicas, possibilitando ao observador uma visão crítica daquilo que lhe é dado.
Nalguns dos seus trabalhos, e especificamente sobre a mulher, a artista questiona a feminilidade que lhe é atribuída no mundo contemporâneo, integrando portanto o movimento de Arte Feminista.
Visite.

http://www.serralves.pt/actividades/detalhes.php?id=1754





FeministizARTE – O núcleo de Braga agradece …

15 12 2009

 

A UMAR-Braga deseja agradecer publicamente aos vári@s participantes – Artistas, Parceiros Institucionais e Privados, Convidadas, Voluntários e Voluntárias – quer a disponibilidade demonstrada para colaborarem connosco, quer o seu contributo para o FeministizARTE, o I Festival de Arte Feminista em Portugal.

Este projecto surgiu da necessidade observada de criar um “espaço” em Portugal para a Arte Feminista, capaz de tratar temas sociais para uma sociedade que se pretende igual em deveres e direitos, de apoiar quaisquer trabalhos artísticos neste domínio, desenvolvendo, paralelamente, uma rede de artistas, activistas, investigador@s e crític@s, possibilitando a sua expressão e visibilidade.

Desta forma, o FeministizARTE concorreu, por um lado, para a demarcação da Arte Feminista, que se caracteriza pela denúncia das desigualdades de género nas diversas arenas da sociedade actual e/ou pela desconstrução dos estereótipos, dos papéis de género e, sobretudo, do discurso dominante; e, por outro, para a apresentação de algumas obras dos diversos domínios de arte e de vári@s artistas.

De mais a mais, o contexto e o tempo onde actuamos geram obstáculos difíceis de ultrapassar, não sendo porém justificação para nos desviar dos nossos propósitos. Daí que, o facto de se ter realizado em Braga, no Norte de Portugal Continental, e apesar das nossas óbvias limitações, advém da necessidade de descentralização dos movimentos feministas e de actividade sócio-cultural.

Cremos, então, que os objectivos a que nos propusemos foram amplamente alcançados. As imagens podem comprovar! Queremos, todavia, apelar a todos e a todas para a continuidade deste esforço, instituindo de facto um “lugar” para a Arte Feminista e uma rede que facilite a visibilidade das obras artísticas deste carácter, não dando, portanto, como finalizado este projecto.

Até uma próxima!

P’lo Núcleo da UMAR-Braga,

Tatiana Mendes