UMAR – núcleo de BRAGA

A Origem do Desconhecimento…e dos Preconceitos…

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A UMAR Braga condena vivamente a atitude que a PSP de Braga teve em relação à pintura A Origem do Mundo, de Gustave Courbet, que data de 1866 e que se encontra exposta no Museu d’Orsay, em Paris. O facto tem sido alvo de muita polémica. Ainda bem que as opiniões que condenam este acto têm vindo massivamente para a esfera pública. É sinal que ainda existe democracia e que as pessoas não ficam no silêncio perante actos ignóbeis como o que se passou recentemente numa Feira do Livro em saldos, na cidade de Braga.

Apreensão de um nu feminino encarado como pornografia. Consideramos que de um ponto de vista feminista, esta apreensão é completamente vergonhosa, pois demonstra a diabolização da nudez e dos órgãos genitais, que cria uma concepção que associa a pornografia a tudo o que é obsceno e mau. O corpo feminino, na sua essência, exposto, despido de preconceitos, não pode estar na esfera pública, uma vez que é, conforme a ideologia cristã, considerado negativo, pecaminoso, poluto, odioso… Enfim, fonte de mal, daí que deva ser enclausurado…deixado nos recantos do prazer carnal, condenado por ser causador de satisfação…Há que o punir, que o reprimir, que o tornar puritano, que o esconder dos olhares de quem já devia saber onde está A Origem do Mundo.

Não há justificações para este episódio. É simplesmente impensável que se apreendam livros porque não se gosta da capa… ou porque se desconhece que se trata de uma pintura…ou porque se tem um preconceito em relação ao corpo… ou porque não se entende muito bem do que se trata (parece que as aulas de português fazem falta… Pornocracia não é sinónimo de Pornografia…).

A PSP é uma instituição que tem como função garantir os direitos e deveres fundamentais das pessoas. Não deve desrespeitar as liberdades e neste caso a liberdade de expressão foi completamente castrada. Onde está a legitimidade para tal atitude? Não se deve admitir que se extrapole os poderes que se possui…

Começa-se com episódios marcados por uma censura impressionante, numa atitude de retrocesso ao período ditatorial. Já não se pode sair das regras moralistas de uma sociedade que necessita de uma revolução de mentalidades em vários domínios. As mentes poluídas pela evolução social, pela liberdade de ideias começam a sentir uma certa auto-censura… Já não se pode pensar, dizer, mostrar…nem as obras artísticas que têm reconhecimento mundial. Aí está…a origem do desconhecimento, da ignorância, do moralismo, da hipocrisia… do autoritarismo…

Não nos podemos esquecer que esta obra demonstra um acto estético da maior importância, de um pintor que não se conformava com a sociedade em que vivia, que não tinha preconceitos, que mostrava um avanço de mentalidade…Mas parece que no século XXI ainda há quem esteja alguns séculos atrás…

 

P’lo Núcleo de Braga da UMAR

Carla Cerqueira

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