Campanha FEMINISTIZA_TE

10 12 2008

MANIFESTO

FEMINISTIZA_TE

Na tentativa de incrementar uma mudança nas sociedades contemporâneas, reivindicamos um processo de feministização dos domínios político, económico e sociocultural. Exigimos a erradicação das práticas discriminatórias que transformam as mulheres em indivíduos de segunda. Levantamos a voz pela consecução da Igualdade de Género.

A militância feminista trouxe conquistas indubitáveis para a arena dos direitos das mulheres ocidentais, reflectidas designadamente no direito ao voto, à propriedade e ao divórcio, no acesso ao ensino e ao mercado de trabalho, na autonomia sobre o seu corpo. Contudo, a igualdade entre homens e mulheres não existe em nenhuma parte do planeta, prevalecendo repudiáveis violações dos direitos fundamentais.

Em todo o mundo, um bilião de mulheres, ou uma em cada três, foram violadas, espancadas ou sofreram algum tipo de violência. Uma em cada cinco mulheres será vítima ou sofrerá, pelo menos, uma tentativa de violação durante a sua vida. Os crimes de honra vitimam cinco mil mulheres anualmente, tendo particular incidência na Índia, Brasil, Marrocos, Paquistão, Turquia, Irão e Reino Unido. Em todo o mundo, faltam cerca de 60 milhões de mulheres devido ao feticídio e infanticídio. As mulheres jovens constituem 60% das vítimas de violência sexual em todo o planeta. Em contextos de conflito bélico, a violência sexual contra mulheres é usada como forma de intimidação, humilhação e vingança. Na Serra Leoa, por exemplo, entre 50 e 64 mil mulheres foram violadas por grupos armados. Todos os anos, quatro milhões de mulheres, homens e crianças são vítimas de tráfico, encontrando como destinos a prostituição, trabalho escravo, pornografia e mendicidade. Estima-se que dois milhões de crianças com idades compreendidas entre os 4 e os 12 anos sejam, anualmente, vítimas da Mutilação Genital Feminina. As mulheres representam 70% dos pobres em todo o mundo, realizam 2/3 do trabalho e auferem apenas 10% dos rendimentos mundiais. Embora as mulheres constituam a maioria do eleitorado, 84% dos parlamentares são homens.

Feministizemo_nos para:

1. Alargar a participação das mulheres na arena política, tornando-as vozes activas na mudança social;

2. Apostar na educação para a saúde, conscientizando para os efeitos nocivos de comportamentos de risco ao nível da sexualidade, dieta alimentar e consumo de aditivos;

3. Assegurar a vivência da sexualidade isenta de opressão, repressão ou coacção;

4. Banir o assédio moral e sexual das relações interpessoais, especialmente as de carácter laboral;

5. Circunscrever a violência física, psicológica e sexual contra homens e mulheres, promovendo a prevenção, educação e sensibilização dos indivíduos;

6. Combater a homofobia, racismo, xenofobia, e misoginia;

7. Combater a selecção pré-natal do sexo dos bebés, ritualizada através do feticídio;

8. Combater o casamento forçado de milhares de crianças e mulheres;

9. Digladiar contra a reprodução dos estereótipos de género na publicidade e nos média, incentivando a feministização das práticas jornalísticas;

10. Educar para a erradicação do duplo padrão de sexualidade, que julga de modo diferente iguais comportamentos em função do sexo a que o individuo pertence;

11. Erradicar o patriarcado das sociedades contemporâneas, cultivando, ao invés, uma maior equidade e justiça;

12. Erradicar os crimes de honra (apedrejamento, ataques com ácido, espancamento, …) que vitimam milhares de mulheres;

13. Erradicar práticas culturais nocivas e extremamente violentas como a Mutilação Genital Feminina;

14. Exigir a reformulação dos sistemas judiciais corrosivos dos direitos individuais;

15. Fomentar uma distribuição justa nas tarefas domésticas, tornando as funções de housekeeper e childcare em incumbências de ambos os sexos;

16. Garantir o acesso ao sistema de ensino de rapazes e raparigas, promovendo a sua participação em espaços culturais e recreativos;

17. Garantir o acesso das mulheres à propriedade e ao controlo dos bens de raiz;

18. Libertar o corpo feminino das determinações políticas e sociais;

19. Nivelar as remunerações de mulheres e homens que desempenham as mesmas funções, fazendo singrar a máxima ‘salário igual para trabalho de valor equivalente’;

20. Pelejar contra a esterilização forçada e outras práticas reprodutivas ofensivas dos direitos das mulheres;

21. Pôr fim ao tráfico de seres humanos que escraviza milhares de homens, mulheres e crianças em todo o mundo;

22. Promover a participação equitativa de homens e mulheres no mercado de trabalho, garantindo iguais condições de acesso, formação, permanência e ascensão;

23. Recusar a transformação do corpo da mulher num instrumento bélico;

24. Reduzir a taxa de mortalidade materno-infantil, defendendo uma melhor distribuição dos métodos de contracepção, a despenalização do aborto, uma assistência médica qualificada e cuidados de obstetrícia;

25. ….

Nós feministizámo_nos. E tu?

Blogue da campanha: http://feministizate.wordpress.com/


Ações

Information

One response

15 12 2008
Maria

Sou mulher, e obviamente que concordo com a defesa dos direitos humanos. Mas não acho que esta petição seja um movimento de “feministização”, com excepção do primeiro ponto. É uma petição que defende os direitos humanos, o que está correcto.
Em relação ao primeiro ponto:
“Alargar a participação das mulheres na arena política, tornando-as vozes activas na mudança social”,
quando é que algumas mulheres vão perceber que ter um determinado número de lugares cativos nos partidos e na assembleia não as torna mais activas, mas mais ridículas? Isso simplesmente quer dizer que não conseguimos chegar lá sozinhas! Nós somos tão ou mais capazes e inteligentes do que quem lá está… o papel de vítima já não fica bem. Se calhar ouvimos bocas, comentários, e se calhar temos que aguentar pressões diferentes dos homens. Porque homens e mulheres são diferentes, e há coisas que eles não percebem, que de repente têm que lidar com, que antes não tinham. E há coisas das quais é muito mais fácil gozar e deitar abaixo quando se está em maior número. Mas quem é bom sabe que é bom e ignora. E não precisa de lugares assegurados para chegar a sítio nenhum.

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