Nem todos gostam de “comer relva”

22 04 2008

Dia 16 de Abril de 2008.
Campus de Gualtar da
Universidade do Minho.
Junto ao Complexo Pedagógico II e ao simbólico Prometeu, uma turma de caloiros obedecia às ordens de alguns “doutores”. No dia em que os estudantes se manifestavam contra a forma como o Processo de Bolonha foi conduzido e contra o valor das propinas, alunos que já entraram no ensino superior há sete meses mantinham-se deitados de barriga para baixo, com a cara rente à relva, em mais uma sessão de praxe. Dentro do edifício, o núcleo de Braga da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) promovia mais uma conferência integrada na Feira Pedagógica, levada a cabo pela Associação Académica da Universidade do Minho. Estas imagens, que podiam ser observadas em simultâneo, mostram que, enquanto alguns se entretêm à volta da relva, há jovens com ideais e com coragem para lutar por eles, mesmo que sejam polémicos, como é seguramente falar de feminismo numa sociedade machista. Basta ver que um artigo sobre o feminismo publicado na versão online do ComUM, dirigido sobretudo ao público universitário, provocou comentários de nível muito baixo, feitos sob a capa do anonimato. Independentemente de se concordar ou não com as propostas que são apresentadas, e que são discutíveis, este esforço de promoção do debate é louvável, num contexto que não favorece a participação cívica.

Houve tempos em que se falou de uma geração rasca, que supostamente foi substituída pela geração à rasca. Contra todos os epítetos, há jovens que estão dispostos a tentar deixar a sua marca nos sítios por onde passam, mesmo que o que propõem seja incómodo e não agrade a muita gente. A blogosfera e a Internet são instrumentos que usam para a participação cívica, mas a sua actividade não se fica pelo mundo virtual. Há jovens – em termos de idade ou de espírito – que estão em múltiplas frentes a combater a bovinidade que continua a imperar vezes sem conta. Pelo nosso futuro colectivo, esperemos que haja cada vez menos quem goste de “comer” relva.

Luísa Teresa Ribeiro, Diário do Minho


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2 responses

24 04 2008
Ana

As clivagens ou as divergências dos “mundos universitárias” só serão atenuadas se houver uma sensibilização e uma divulgação crescentes…
É, de facto, mais interessante e muito mais educativo a realização de performances, pelo modo de dar a cara por “causas” ou movimentos como o comportamento dos “feminismos”, mas, também, não deixa de ser desprovido de sentido cruzar os braços para a integração dos alunos mais recentes… Talvez a praxe não seja a melhor forma de eles absorverem conhecimento e de “sentirem em casa”, mas a “praxis social” tem, exactamente, o seguinte papel: dar a cada um o que precisa para se sentir integrado e tal facto passa, também, pela criação de uma consciencialização de fazer “feminismo”. E fazer “feminismo” não é nada mais que promover a igualdade, mesmo em comportamentos tão críticos como a “praxe académica”. Por isso, vamos adiante para trazermos a todos os comportamentos novas formas e novos sentidos de erradicar o feminismo e promover a igualdade.
Ex-aluna de Sociologia da UMinho,
Ana Ferreira

24 04 2008
Ana

Onde se lê: “universitárias”, leia-se: “universitários”

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