Braga a caminho do Congresso Feminista 2008

19 04 2008

Os feminismos impregnaram a cidade de Braga e, em particular, a Universidade do Minho. Exposição de materiais atinentes aos direitos humanos e feminismos, uma performance sobre o corpo feminino e debates sobre temáticas diversificadas repletaram a Semana Pedagógica (14-18 de Abril) da academia minhota.

Organizado pela União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), este conjunto de actividades surpreendeu pela espontaneidade, vigor e dinamismo. Favoreceu o intercâmbio de opiniões e experiências, granjeou novos apoiantes e difundiu pelos corredores da universidade o ser, pensar e agir feministas.

DIA1: No primeiro debate “Mulheres Invisíveis?”, Marta Gonçalves (APAV) e Ana Marciano (UMAR) traçaram a dimensão da violência doméstica em Portugal e colocaram a tónica nos obstáculos burocráticos que obstam a celeridade do sistema judicial. Para Ana Marciano, “o tempo dos tribunais não é o tempo das pessoas” e nem sempre respondem atempadamente às necessidades das vítimas. Os objectivos principais da APAV e UMAR convergem num único sentido: colocar a vítima de violência doméstica em segurança e reintegrá-la na sociedade, impedindo a reprodução do contexto de violência. 

DIA 2: O debate “Sexo e Dinheiro” reuniu Inês Fontinha (O Ninho) e Manuel Carlos Silva (Universidade do Minho) em torno de uma temática: prostituição. Apologista do sistema abolicionista, Inês Fontinha destacou que a entrada das mulheres no meio prostitucional é sempre condicionada por factores de ordem económica. No seu entender, a erradicação da prostituição é possível e o Estado não pode legitimar a compra do corpo feminino. Pela voz da regulamentação, Manuel Carlos Silva acredita que a erradicação desta actividade não é possível no quadro de uma sociedade capitalista. Por isso, vê no sistema regulador a melhor solução para melhorar a saúde pública e romper com a estigmatização dos actores do meio. Ambos os intervenientes foram unânimes ao defender a integridade das prostitutas no exercício da maternidade.

DIA 3: De manhã, Ana Gabriela Macedo (Universidade do Minho) falou de “arte e feminismos”. Na sua intervenção, centrou-se na relação das mulheres com o seu corpo, detendo-se nas práticas de des-identificação e de empoderamento presentes na arte feminista. De tarde, as atenções dirigiram-se para o debate “Feminismos e Média”. Zara Pinto Coelho (Universidade do Minho) enfatizou que a feminização da produção mediática não se reflectiu numa mudança da imagem feminina no discurso jornalístico. Na sua opinião, é fundamental a introdução de uma perspectiva feminista nos currículos universitários. Silvana Mota Ribeiro, por seu turno, destacou que as mulheres aparecem nas revistas femininas como uma superfície estética, havendo uma espécie de apologia da mulher bela, magra e jovem. Manuel Pinto deteve-se na análise do agenda-setting, que determina o que é noticiado, e do framing do jornalista.

DIA 4: O debate “Nem menos, nem mais: direitos iguais” centrou-se na homossexualidade e transsexualidade. Ana Brandão (Universidade do Minho) salientou a necessidade de abolir as práticas discriminatórias em relação a homossexuais, nomeadamente no que respeita à concessão de direitos da família. Luísa Reis (Grupo de Reflexão e Intervenção sobre Transsexualidade) expôs a distinção entre ‘identidade de género’ e ‘orientação sexual’ e sustentou que não existem apenas dois sexos – H e M –, mas uma grande diversidade. Deteve-se ainda nos obstáculos no acesso ao mercado de trabalho e nas dificuldades legais. Frederico Lemos (Grupo de Reflexão e Intervenção do Porto) mostrou que existem 75 países que consideram a homossexualidade crime e nomeou como suas principais reivindicações os direitos de adopção e de casamento em Portugal.     

DIA 5: A semana fecha com o debate “Aborto e Saúde reprodutiva: o que mudou um ano depois?”. Cândida Carlos (Centro de Saúde de Vila Verde) destacou que ainda prevalecem imensos mitos e deturpações no que concerne à sexualidade. Helena Gonçalves (UMAR) mostrou que é importante desenvolver programas de prevenção de modo a esclarecer educandos e educadores sobre as DST.


Ações

Information

6 responses

20 04 2008
Salomé

Parabéns a todas pelo trabalho, empenho, criatividade e frescura😉
O vídeo ficou um espectáculo.
Que seja a primeira de muitas outras actividades!

21 04 2008
Shahd

Gostei muito! parabéns!

21 04 2008
Filomena Barata

Um abraço das Mulheres ao Luar

21 04 2008
Artemisa

Olá a todas!
Muitos parabéns pela vossa iniciativa! Espero que essa alegria continue a contagiar e, assim, espalharem os feminismos!
Envio, se me permitem, este site também relacionado com as mulheres e que tem uma programação a passar na BBC World sobre Violência Contra as Mulheres. O primeiro, no passado dia 18, foi sobre o Nepal.
Abraços feministas e muita força!
Artemisa Coimbra

http://www.unifem.org/

Ver BBC WORLD VAW
dia 25 Abril 20:30 Turquia
dia 2 Maio 20:30 Marrocos
dia 9 Maio 20:30 DRCongo
dia 16 Maio 20:30 Áustria
dia 23 Maio 20:30 Mauritânia
dia 30 Maio 20:30 Colômbia

24 04 2008
Ana

“Não há caminho sem dor para a transformação psicológica”
Carl Gustav Jung

Fiquem bem… beijos

26 04 2008
Sergio Betis

É um privilégio ver esse filme!
E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele. Gen 1-18
Mulher! Sem a sua presença, o homem não poderia multiplicar-se e nem sentir-se um ser humano completo.
Parabéns pelo trabalho e divulgação em Braga!
Voces já são vencedoras!

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