Reunião do Núcleo de Braga cancelada

10 09 2009

Devido ao falecimento de uma associada da UMAR suspendemos a reunião de hoje (dia 10 de Setembro) do Núcleo de Braga. Retomaremos as actividades na próxima semana!

Em homenagem a Paula Tavares

As palavras são inexpressivas para dizer da dor da perda, para lembrar a Paula Tavares e também para falar da solidariedade com uma mãe e um pai que perdem uma filha. Querida Manuela e querido António, estamos convosco na partilha desta dor imensa.
A Paulinha ficará na nossa memória como aquela amiga, activista e militante que nos enchia de orgulho ao olharmos a sua juventude que nos confrontava com a sua maturidade.
Recordamos com saudade a sua força e energia nas grandes batalhas feministas e da UMAR, como a luta pela despenalização do aborto, no calcorrear das ruas, na recolha de assinaturas, no esclarecimento e consciencialização das pessoas. Do seu corpo esguio, emergia uma luz nos olhos escuros, da convicção das suas causas e da serenidade do seu ser mulher. Esteve presente nas grandes batalhas pelos direitos das mulheres que a sua jovem idade permitia.
Paula Tavares, investigadora no Instituto Superior Técnico de Lisboa, bióloga, doutorada em Biologia (Ecotoxicologia), destacou-se também na luta ecológica por um maior equilíbrio entre os seres humanos e a natureza. Defensora e amiga dos animais como poucas, foi um exemplo para todas e todos da importância do respeito por todos os seres vivos e pela exigência de abandonarmos o self imperialista e predador que tem caracterizado a construção social do ser humano na modernidade.
Lembrar-te-emos, na UMAR, Paulinha.
Recordaremos o teu jeito particular como te preocupavas com as outras pessoas. Como companheira, solidária, como filha de Manuela Tavares, seguindo a esteira de muitas outras que, contigo, lembramos.
Ficará uma saudade tão grande, em todas nós…
 
UMAR Porto, 9 de Setembro de 2009.
 
 
O Funeral realiza-se hoje às 16h00 no Cemitério de Aveloso, São Pedro do Sul.





Lançamento do Manifesto Feminista

8 09 2009

Lançamento Público – 14 de Setembro – 11h
Fundação Calouste Gulbenkian (Sala 2)
 
Foram convidados todos os partidos políticos e seus principais líderes – JoséSócrates, Manuela Ferreira Leite, Francisco Louçã, Jerónimo de Sousa, Paulo Portas – a estarem presentes na apresentação pública do Manifesto Feminista 2009, assim como pessoas de diversos sectores sociais, culturais e políticos.
Contamos consigo!
 
 
Queira confirmar a sua presença para o seguinte mail: umar.sede@sapo.pt ou T: 218873005.





Shocking Pinks

8 09 2009

A Associação Cultural Janela Indiscreta, a Câmara Municipal de Lisboa e a EGEAC, E.E.M. têm o prazer de o/a convidar para a inauguração da Exposição Shocking Pinks, no Sábado, dia 19 de Setembro, às 19h, na Sala Buondi do Cinema São Jorge.

Shocking Pinks:

Ana Pérez-Quiroga

André Alves

Carla Cruz + Ângelo Ferreira de Sousa

Carla Filipe

João Leonardo

Luísa Cunha

Participação Especial: CALHAU!

Curadores: João Mourão e Nuno Ramalho

 

 

Mais informações em http://www.queerlisboa.pt/





Braga: Lançamento das Actas do Congresso Feminista 2008

1 08 2009

 

Em nome do Núcleo de Braga da UMAR, inicio com um agradecimento ao Estaleiro Cultural Velha-a-Branca, que nos acolheu, desta vez, para apresentar as actas digitais do Congresso Feminista 2008.

Agradeço também a presença de duas das pessoas que fizeram parte da Comissão Promotora do Congresso, a Doutora Ana Gabriela Macedo e a Doutora Conceição Nogueira, ambas investigadoras na área dos estudos feministas na Universidade do Minho, que prontamente aceitaram o nosso convite para fazer a apresentação das actas. Não poderia deixar ainda reconhecer o empenho de um enorme grupo de pessoas e instituições que tornaram possível a concretização do Congresso Feminista 2008. Existiu um enorme esforço colectivo, a nível nacional, que importa relevar. 

Fazendo apenas uma breve contextualização, o Congresso Feminista realizou-se nos dias 26, 27 e 28 de Junho de 2008 na Fundação Calouste Gulbenkian e Faculdade de Belas-Artes de Lisboa. Ao longo de três dias, realizaram-se mais de 20 painéis temáticos, com mais de 150 palestrantes e 500 participantes, os quais analisaram o feminismo sob diferentes perspectivas. O evento recrutou saberes de áreas de investigação e intervenção diversificadas – tendo sido abordados temas como: mulheres e media, pobreza e exclusão social, violência de género, história das mulheres e da educação, mulheres e ciência, o papel das mulheres e dos homens na mudança, trabalho e sindicalismo, direitos humanos e igualdades, movimentos sociais e políticas públicas, famílias, casamentos e trajectos emancipatórios, feminismos e religiões, lesbianismos e movimento LGBT, história das mulheres e correntes do feminismo, mulheres e migrações, mulheres e saúde, educação e cidadanias, representações do feminino, tráfico de mulheres e prostituição, direitos sexuais e reprodutivos, artes e feminismos, entre outros.

Nas palavras de Maria José Magalhães e Manuela Tavares, “oitenta anos após o último congresso feminista em Portugal, a UMAR ousou lançar um desafio na sociedade portuguesa: a realização de um congresso feminista que contribuísse para dar visibilidade aos feminismos como uma corrente plural de pensamento e acção. Neste sentido, a associação procurou envolver diversos sectores sociais, culturais, associativos e políticos numa vasta comissão promotora”.

O Congresso quebrou o silêncio que tem envolvido as lutas feministas no contexto português e juntou à análise científica o activismo e a vertente cultural, articulando as diversas agendas. Mostrou à sociedade que o feminismo já não é (e não pode mesmo ser visto) como uma palavra maldita, que tem que ser encarado como algo crucial para a agenda política e mediática. Como um movimento de mulheres e homens que buscam o bem-estar social, o qual só pode ser concretizado num mundo sem discriminações.

Passado mais de um ano da realização deste evento de carácter social e científico, é com enorme orgulho que o Núcleo de Braga da UMAR faz o lançamento das actas. O Congresso Feminista teve um significado político, científico e de activismo no seio da sociedade portuguesa. Foi, portanto, um marco, para o movimento feminista e para a UMAR e tem também um significado especial para o núcleo de Braga.

Aquando da celebração do Dia Internacional da Mulher de 2008, e no âmbito da Rota dos Feminismos, organizada pela UMAR, Anabela Santos e Sylvie Oliveira, realizaram neste mesmo espaço a tertúlia “Onde estão as Simone de Beauvoir?”, onde se discutiram os ‘Feminismos, Cidadania e Movimentos sociais’ e as ‘Mulheres e Média’. Nessa altura não existia núcleo de Braga da UMAR, mas estas duas activistas, eu própria e outra companheira, Danielle Capella, que agora se encontra a colaborar com a sede da UMAR, sentimos a necessidade de criar o núcleo em Braga, de fomentar o debate em torno dos feminismos nesta cidade e região. Surgiu, assim, o núcleo de Braga.

Ainda no âmbito da promoção do Congresso Feminista, realizámos o lançamento do livro “Gostar de mim, gostar de ti”, da autoria de Maria José Magalhães, Ana Paula Canotilho e Elisabete Brasil. Mas as iniciativas não terminaram aqui! Exibimos também o filme “O sorriso de Mona Lisa”e debatemos o status feminino na sociedade do século XXI, estabelecendo paralelismos e contrastes com a realidade retratada no filme.

Além disso, enquanto núcleo, participámos activamente, com uma comunicação, que também se encontra nas actas, e na organização do Congresso.

Desde essa altura até agora, o núcleo cresceu e para nós é um enorme orgulho dizer que temos que temos pessoas de vários quadrantes (activistas, homens e mulheres), que temos projectos muito diversificados e que temos realizado iniciativas que têm aproximado a UMAR da comunidade bracarense e que têm suscitado a reflexão em torno dos feminismos (debates, acções de rua, lançamento de livros, ciclo de cinema…etc).

Com este congresso abriu-se um novo espaço na sociedade portuguesa para uma nova agenda feminista e abriu-se um novo espaço de reflexão em Braga.

P’lo Núcleo de Braga da UMAR
Texto: Carla Cerqueira
Vídeo: Anabela Santos





Lançamento das actas do Congresso Feminista 2008

22 07 2009

Publicaçã..O Núcleo de Braga da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) convida as/os bracarenses para o lançamento das actas do Congresso Feminista 2008, que se realiza no dia 28 de Julho, às 21h30, no Estaleiro Cultural da Velha-a-Branca.

O evento conta com a presença da docente do Instituto de Educação e Psicologia da UMinho, Conceição Nogueira, e da docente do Instituto de Letras e Ciências Humanas da UMinho, Ana Gabriela Macedo.

Contamos com a sua presença!

União de Mulheres Alternativa e Resposta





CONVITE

15 07 2009

Em ano de eleições e de crise, a UMAR considera urgente a criação de um Manifesto Feminista que contenha as principais reivindicações das mulheres do nosso país.

Porque a desigualdade de género subsiste.
Porque a violência de género afecta a nossa sociedade.
Porque as mulheres necessitam, cada vez mais, de sentir uma mudança ao nível da acção política.
Porque as mulheres são quem mais sofre com a crise que tem afectado o nosso país.
As mulheres devem ter uma palavra a dizer!

Por todos os motivos acima mencionados e por tantos outros, a UMAR vem convidar a vossa associação/ organização a participar numa Tertúlia onde se irão debater os problemas sentidos pelas mulheres, dar voz às suas reivindicações e alternativas de acção. As propostas recolhidas servirão para criar um Manifesto Feminista a ser entregue aos partidos políticos na altura da campanha eleitoral para as legislativas.

Porque temos de combater uma sociedade onde a desigualdade e a violência de género ainda marcam presença, junte-se a nós nos dias 16 e 17 Julho 2009, a partir das 21 horas, no Estaleiro Cultural da Velha-a-Branca.

Contactos: umarbraga@gmail.com





Norte-coreanas vendidas como escravas por 700 euros na China

25 06 2009

Cerca de 70 por cento das mulheres norte-coreanas que vivem na China são vítimas de tráfico humano

Imagem1

O preço de uma mulher norte-coreana, na China, oscila entre 210 e 842 euros, mostra o relatório da Comissão americana para os direitos humanos na Coreia do Norte.

Em 1999, Pang Bun Ok, 55 anos, foi vendida no país do Sol Nascente por 737 euros.

Um ano após a morte do seu marido, Pang Bun Ok decidiu emigrar para a China, juntamente com os seus filhos, em busca de uma vida melhor. Uma vez no país, foi vendida como esposa três vezes, encerrada em casa, presa a uma cama, raptada e abusada.

“Fui tratada como um animal”, explica Pang, que fugiu da Coreia do Norte pela segunda vez, em 2003, e conseguiu entrar na Coreia do Sul, onde os seus filhos a esperavam. A maior parte dos norte-coreanos que foge dos seus raptores utiliza nomes falsos porque, na Coreia do Norte, a pena por ‘trair o regime’ (ou seja, emigrar) recai, muitas vezes, na família do fugitivo.

Duas jornalistas norte-americanas, Laura Ling e Euna Lee, estavam precisamente a investigar o tráfico e o abuso das mulheres norte-coreanas na China, mas foram, no dia 8 de Junho, condenadas a 12 anos de trabalhos forçados.

A migração em massa da Coreia do Norte começou em meados da década de 90, quando centenas de milhares de pessoas fugiram da fome, que provocou um milhão de vítimas.

Os norte-coreanos na China são abandonados. Segundo o relatório da Comissão americana para os Direitos Humanos na Coreia do Norte, oito sobre dez são mulheres, a maior parte das quais são operárias e camponesas.

No total, há cerca de 300 mil norte-coreanos a viver na China, a maior parte ilegalmente. Estima-se que 70 por cento das mulheres sejam vítimas de tráfico humano. De acordo com o fundador da organização ‘Corea Helping Hands’, Tim Peters, “as mulheres que fogem são particularmente vulneráveis. Arriscam ser enganadas, compradas e vendidas aos chineses como ‘esposas’ na fronteira entre os dois países”. O problema do tráfico de mulheres não parece ser fácil de resolver num país (China) onde há um importante desequilíbrio demográfico por causa da política do Governo, que favorece a redução do número de mulheres.

Não obstante a China tenha assinado a Convenção da ONU, em 1951, o país ignora os direitos dos migrantes norte-coreanos que não são considerados refugiados, mas sim migrantes ilegais.

Texto original: AQUI
Tradução: Anabela Santos





Afeganistão, esperanças desfeitas

25 06 2009

Entrevista a Sima Samar: da lei que legaliza a ‘violação marital’ às torturas nas prisões

11769

Sima Samar é minúscula, com olhos doces e profundos. Os seus cabelos, que sobressaem do ejab, são grisalhos. Para entrar no seu escritório, tem de se passar pela vigilância das suas guardas armadas, depois por um detector metálico. Os homens da segurança controlam a máquina fotográfica, ligam-na. “Não é uma arma”, digo-lhes. A prudência nunca é demasiada. Sima foi ameaçada de morte mais uma vez. Presidente da Comissão afegã para os direitos humanos, nos anos 80, exilou-se no Paquistão e fundou a ONG Shohada. Doze clínicas no Afeganistão, um hospital no Paquistão, cursos para obstetras e assistentes médicos, mestres e enfermeiros. Uma vida inteira a combater as discriminações e um marido desaparecido na ocupação soviética.

Sima combate ainda uma lei criada com o propósito de regular a vida privada das mulheres muçulmanas chiitas deste país, que reintroduz a “violação marital”, ou seja, a obrigatoriedade da mulher ter relações sexuais com o seu marido, ainda que não dê consentimento. A sua aprovação, na sequência dos protestos da comunidade internacional, foi adida.     

Doutora Samar, que lei é esta?
É uma lei que discrimina as mulheres, que vai contra os direitos humanos fundamentais e à liberdade das mulheres. Uma lei que vai contra a própria Constituição afegã, a qual garante os mesmos direitos ao homem e à mulher. Uma lei que também vai contra as convenções internacionais.

Uma lei que afecta um quarto da população, mas que é feita para afectar todas as mulheres…
Há artigos nesta lei que não devem existir. Dou um exemplo dos mais estúpidos: nesta lei, é contemplado o facto de a esposa ser obrigada a usar maquilhagem. Se não o fizer, o que acontece? O marido vai à polícia? A pena prevista é uma multa ou a prisão? Como podemos explicar uma coisa genericamente? E esta é uma das coisas menos graves presentes nesta lei.

Então, não há qualquer referência ao mundo islâmico?
Penso que não é esse o problema. Sou muçulmana chiita. O Afeganistão é um país islâmico, sobre isto não há dúvida alguma, como não há dúvida sobre o facto de existirem muitos outros países islâmicos no mundo. Ora, nenhum destes países tem uma lei de género. Isto não tem que ver com a sharia ou Corão. Tem que ver com a mentalidade das pessoas que dizem, em voz alta, defender a lei do Corão. A figh, isto é, a jurisprudência, representa o esforço exercido para individualizar a lei de Deus, mas não é a lei de Deus.

Você foi também ministra no Governo de transição Rabani. O que aconteceu? 
Fui por seis meses. Depois, tive de me demitir na sequência de uma série de falsas acusações só porque tinha pedido o fim da impunidade e justiça para as mulheres. Diziam que eu não era uma boa muçulmana. Parecia um filme: eu estava sentada no Parlamento e havia um grupo de parlamentares que gritavam, ameaçando-me de morte. Eu permaneci sentada e sorri, dizendo-lhes que não tinham direito algum de gritar e de me endereçar falsas acusações. Mas não era necessário prová-las. Não há liberdade de expressão quando usam a religião para atingir-te. Nunca dei ouvidos a ninguém antes e, agora, que sou presidente desta comissão independente, muito menos. É um trabalho de risco e stressante. Tens de enfrentar muita gente importante, mas estou feliz porque estou sempre do lado das vítimas.  

O que mudou desde 2001?
Em 2001, foi abolido o regime talibã e muito mudou, quer negativa, quer positivamente. Nota-se uma maior presença das mulheres na política, no mercado de trabalho, nas actividades sociais, nas cidades mas também nas áreas rurais, e mais liberdade de imprensa. Mas, infelizmente, verificou-se também uma deterioração da segurança. A violência aumentou em muitas províncias. Penso que um dos motivos de tudo isto seja a ausência de uma visão clara e estratégica sobre o que se deve fazer, quer da parte do Governo, quer da comunidade internacional. Em segundo lugar, penso que o nosso seja um caso particular, não há uma abordagem original para a solução dos problemas do Afeganistão. Em último, os esforços não estão a focalizar-se na promoção de instituições no território. Num país como este, é necessário construir o aparelho estatal mais do que qualquer outra coisa.

A comunidade internacional então, na sua opinião, não está a fazer o suficiente…
É uma situação difícil porque não está, de facto, a trazer a paz. Como dizia, não há uma visão clara sobre o futuro do país. Quais os objectivos? Quais os resultados? Dizem que não nos interessa a democracia porque a nossa é uma sociedade tribal, religiosa e em que não compreendemos o significado da palavra democracia. Mas esta é uma percepção equivocada. Provavelmente, a gente que está no Governo tem a mesma percepção…

E a situação dos direitos humanos?
Antes, a tortura era muito comum nos centros de detenção. Ninguém era preso e solto sem ser torturado. Hoje, a situação melhorou, mas a tortura não desapareceu. Permanece em muitas prisões privadas geridas por comandantes de várias milícias. Cada um destes tem a sua prisão, muitas vezes nos subterrâneos das suas fortalezas.

Um sonho e uma esperança?
O meu sonho é ter um verdadeiro sistema educativo no nosso país capaz de mudar a mentalidade das novas gerações. A minha esperança é o fim da discriminação. De todo o tipo. Devemos alcançar este objectivo. Devemos conquistá-lo.

Texto original: Cristiano Tinazzi
Tradução: Anabela Santos





AVISO

23 06 2009

O Núcleo de Braga da UMAR vem por este meio anunciar que o ciclo de sessões abertas mensais será interrompido por três meses. A reflexão, exposição e intercâmbio de opiniões em torno dos feminismos estão de volta em Setembro, com novas/os intervenientes e abordagens.

União de Mulheres Alternativa e Resposta





Preservativos: promotor de orgias ou real prevenção?

31 05 2009

preservativos

Afinal, o que se pretende com a distribuição de preservativos nas escolas? Decerto, não proliferará a actividade sexual, como alguns temerão, e não comprometerá, muito menos, o início das relações sexuais entre os adolescentes!

Não queremos que os jovens tenham sexo seguro? Não será a Escola uma figura indispensável para a promoção de comportamentos sexuais saudáveis? Ou queremos também que ela se mantenha alheia à sexualidade dos jovens, sendo esta parte integrante do indivíduo?

Deixemo-nos, portanto, de pudor ou conservadorismo, e olhemos para a realidade. Segundo dados de 2008, da Associação para o Planeamento da Família (APF) e o Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa, mais de metade dos alunos do ensino secundário, nunca tiveram relações sexuais. Sendo esta A estatística relevante ou não para o caso, da percentagem de jovens que já iniciou a actividade sexual, importa observar se, efectivamente, usam preservativo, se as relações sexuais são tidas com total consciência e em clima de confiança e igualdade, no fundo, se os seus direitos estão garantidos.

O projecto, agora aprovado pelo Governo Português, engloba a existência de gabinetes de apoio, para além da distribuição de preservativos, o que indicia a necessidade antiga, que urge ser instaurada, de Educação Sexual. Esta seria dada por especialistas e não por professores de Línguas, Matemática ou História, incidindo sobre temas como a orientação sexual, a identidade de género, a intimidade, a saúde sexual e cuja abordagem abarcaria as Doenças Sexualmente Transmissíveis, prevenção e a contracepção. Uma Educação Sexual para extinguir, definitivamente, este tabu; desvanecer mitos e falsas crenças; que nos permita ter sexo em pleno, responsável, sem culpa ou vergonha.
Não olvidemos os NOSSOS direitos! Entre eles, Vida, Liberdade, Informação e Igualdade.

Aproveito para congratular a campanha que se tem vindo a efectuar do preservativo feminino, medida capaz de surtir efeito nas relações sexuais ainda desiguais. Importa, porém, pensarmos também na prevenção das DST nas lésbicas, cujas necessidades são obviamente ignoradas.

 

P’lo Núcleo de Braga
Tatiana Mendes