Dia 16 de Abril de 2008.
Campus de Gualtar da
Universidade do Minho.
Junto ao Complexo Pedagógico II e ao simbólico Prometeu, uma turma de caloiros obedecia às ordens de alguns “doutores”. No dia em que os estudantes se manifestavam contra a forma como o Processo de Bolonha foi conduzido e contra o valor das propinas, alunos que já entraram no ensino superior há sete meses mantinham-se deitados de barriga para baixo, com a cara rente à relva, em mais uma sessão de praxe. Dentro do edifício, o núcleo de Braga da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) promovia mais uma conferência integrada na Feira Pedagógica, levada a cabo pela Associação Académica da Universidade do Minho. Estas imagens, que podiam ser observadas em simultâneo, mostram que, enquanto alguns se entretêm à volta da relva, há jovens com ideais e com coragem para lutar por eles, mesmo que sejam polémicos, como é seguramente falar de feminismo numa sociedade machista. Basta ver que um artigo sobre o feminismo publicado na versão online do ComUM, dirigido sobretudo ao público universitário, provocou comentários de nível muito baixo, feitos sob a capa do anonimato. Independentemente de se concordar ou não com as propostas que são apresentadas, e que são discutíveis, este esforço de promoção do debate é louvável, num contexto que não favorece a participação cívica.
Houve tempos em que se falou de uma geração rasca, que supostamente foi substituída pela geração à rasca. Contra todos os epítetos, há jovens que estão dispostos a tentar deixar a sua marca nos sítios por onde passam, mesmo que o que propõem seja incómodo e não agrade a muita gente. A blogosfera e a Internet são instrumentos que usam para a participação cívica, mas a sua actividade não se fica pelo mundo virtual. Há jovens – em termos de idade ou de espírito – que estão em múltiplas frentes a combater a bovinidade que continua a imperar vezes sem conta. Pelo nosso futuro colectivo, esperemos que haja cada vez menos quem goste de “comer” relva.
Luísa Teresa Ribeiro, Diário do Minho
As clivagens ou as divergências dos “mundos universitárias” só serão atenuadas se houver uma sensibilização e uma divulgação crescentes…
É, de facto, mais interessante e muito mais educativo a realização de performances, pelo modo de dar a cara por “causas” ou movimentos como o comportamento dos “feminismos”, mas, também, não deixa de ser desprovido de sentido cruzar os braços para a integração dos alunos mais recentes… Talvez a praxe não seja a melhor forma de eles absorverem conhecimento e de “sentirem em casa”, mas a “praxis social” tem, exactamente, o seguinte papel: dar a cada um o que precisa para se sentir integrado e tal facto passa, também, pela criação de uma consciencialização de fazer “feminismo”. E fazer “feminismo” não é nada mais que promover a igualdade, mesmo em comportamentos tão críticos como a “praxe académica”. Por isso, vamos adiante para trazermos a todos os comportamentos novas formas e novos sentidos de erradicar o feminismo e promover a igualdade.
Ex-aluna de Sociologia da UMinho,
Ana Ferreira
Onde se lê: “universitárias”, leia-se: “universitários”